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terça-feira, 10 março, 2026
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CPMI do INSS recebeu apenas 0,25% dos dados sobre Vorcaro que estavam com Alcolumbre 

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Por Cleber Lourenço

Integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS afirmam que tiveram acesso a apenas uma fração mínima do material relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro que estava em posse do Senado e que acabou encaminhado à Polícia Federal após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo membros da comissão, o conjunto de dados reunido originalmente teria cerca de 500 gigabytes. No entanto, o material efetivamente repassado à CPMI teria apenas 740 megabytes — o equivalente a cerca de 0,25% do volume total mencionado pelos parlamentares.

Até o momento, dizem eles, o material disponibilizado aos parlamentares contém basicamente conversas de caráter privado e íntimo entre Vorcaro e sua então namorada, sem documentos ou registros que ampliem diretamente o escopo das investigações conduzidas pelo colegiado.

A discrepância passou a ser discutida dentro da comissão após a divulgação do conteúdo encaminhado aos parlamentares. O tema ganhou novo impulso após declarações públicas do senador Carlos Viana, presidente do colegiado.

As declarações foram feitas na semana passada, após decisão de Mendonça relacionada ao compartilhamento de dados. Na ocasião, Viana afirmou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, indicou que havia orientação do gabinete do ministro para que apenas parte dos documentos fosse entregue à comissão.

Em conversa com jornalistas, o senador relatou o teor do diálogo que teria mantido com o chefe da PF.

“O doutor Andrei reafirmou que há uma orientação do gabinete do ministro [André Mendonça] no sentido de que nos entreguem apenas a parte dos consignados”, disse Viana.

O presidente da CPMI também afirmou que pediu à Advocacia do Senado que buscasse esclarecimentos formais sobre a situação.

“Eu já solicitei à advocacia [do Senado] para entrar em contato com o gabinete do ministro para a gente esclarecer toda essa história”, acrescentou.

A diferença entre o volume de dados mencionados internamente e o conteúdo efetivamente encaminhado à comissão também foi confirmada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), integrante da CPMI ao ICL Notícias. Segundo o deputado, o conteúdo enviado ao colegiado é “muito menor”. É reafirmou que as informações que receberam sobre o tamanho do dados veio oficialmente pela secretaria da comissão.

Segundo o parlamentar, o próprio senador Carlos Viana mencionou a discrepância durante reunião da comissão realizada na manhã desta segunda-feira (09).

A constatação de que apenas parte reduzida do material foi compartilhada com a CPMI passou a gerar questionamentos sobre o alcance da decisão judicial e sobre quais critérios foram adotados para definir o conteúdo efetivamente enviado aos parlamentares.

A investigação conduzida pela CPMI apura possíveis irregularidades em operações envolvendo consignados do INSS e entidades associativas, além de conexões financeiras que passaram a ser examinadas após o surgimento de documentos e dados extraídos de dispositivos atribuídos a Vorcaro.

Nos bastidores da comissão, parlamentares avaliam que a limitação no acesso aos dados pode impactar o ritmo das apurações e a capacidade do colegiado de analisar o conjunto completo das informações reunidas pelas autoridades.

Integrantes da CPMI também discutem quais medidas podem ser adotadas para obter acesso integral ao material, incluindo novos pedidos formais ao Supremo Tribunal Federal e questionamentos institucionais sobre o escopo do compartilhamento autorizado.

O gabinete do senador Davi Alcolumbre foi questionado sobre a diferença dos dados mas não retornou até o fechamento da reportagem, o espaço permanece aberto.





ICL Notícias

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