A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) iniciou, nesta sexta-feira (27), a leitura e análise do relatório final, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O relatório propõe o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O relator pediu o indiciamento de 212 pessoas. Entre elas, estão o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Lulinha foi alvo da CPI por suposta relação com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes. As propostas de indiciamento, se aprovadas, são encaminhadas à PGR (Procuradoria-Geral da República), que decide se de fato indicia ou não os alvos.
“Está provado que o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas foi utilizado em benefício de Lulinha para a aquisição, por Careca do INSS, de passagens de primeira classe em voos internacionais, bem como hospedagens de luxo em países europeus”, escreveu o relator Alfredo Gaspar no relatório.
O documento ainda precisa ser pelos membros da comissão. A votação do parecer final foi convocada na véspera pelo presidente do colegiado, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), após o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar a prorrogação da CPI. O prazo regimental para funcionamento do colegiado encerra neste sábado (28).
O PT e partidos aliados devem pressionar contra o parecer de Gaspar e planejam votar um relatório paralelo. A base do governo deve propor o indiciamento de pessoas ligadas à direita, com suposto envolvimento no esquema de fraude do INSS e também no caso do Banco Master.
Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da própria PF (Polícia Federal). A CPI também aprovou a quebra.

Gaspar afirmou que o senador Weverton Rocha teve “atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa. O parlamentar atuou como o articulador que garantia a fluidez dos interesses do grupo dentro da administração pública, permitindo a manutenção e expansão do sistema de descontos indevidos em benefícios previdenciários”.
Sobre Carlos Lupi, Gaspar afirmou que o pedido “fundamenta-se em um padrão de omissão deliberada, prevaricação e blindagem política de agentes criminosos instalados na cúpula do INSS”. O pedetista comandou o Ministério da Previdência no governo Lula até maio de 2025.
No caso de Vorcaro, Gaspar afirmou que “observa-se um padrão grave de desconformidades envolvendo o banco Master S.A”.
CPMI do INSS
A CPMI do INSS, comandada por membros da oposição, entrou em rota de colisão com a cúpula do Congresso ao passar a se debruçar sobre o escândalo do Banco Master. Há menções à instituição financeira no parecer final.
O material que chegou à CPI do INSS expôs a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com figuras como o presidente do PP (Progressistas), o senador Ciro Nogueira (PI), que é ex-ministro do governo Jair Bolsonaro e aliado do senador Flávio Bolsonaro, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda.
Também foi exposto o uso, pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), de um jatinho de propriedade de Vorcaro, além de conversas com Motta, Alcolumbre, com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), dentre outros.
O relatório deve ser votado até este sábado, sob risco de a CPI ser encerrada sem parecer aprovado. Há expectativa de embates com a base governista quanto aos indiciamentos propostos pelo relator, que tem perfil bolsonarista.



