Por Cleber Lourenço
Depoimentos de Roberto Campos Neto, Ibaneis Rocha e Cláudio Castro serão realizados na próxima semana na CPI do Crime Organizado, segundo confirmou à reportagem o relator da comissão, senador Alessandro Vieira.
A nova rodada de oitivas marca uma inflexão no foco da CPI, que passa a mirar diretamente decisões de alto nível — tanto na condução da segurança pública quanto na supervisão do sistema financeiro — em meio ao avanço das investigações sobre o caso Banco Master.
“A expectativa é reunir maiores informações sobre a resposta estatal no combate ao crime organizado no RJ e DF e também detalhes sobre a infiltração da organização criminosa Banco Master no RJ e DF”, afirmou Vieira.
A declaração do relator explicita que a comissão pretende avançar sobre um ponto sensível: a possível articulação entre estruturas criminosas e ambientes institucionais.
No caso dos governadores, o foco está em dois eixos principais:
- a capacidade de resposta dos governos estaduais diante do avanço do crime organizado;
- a eventual presença de redes ligadas ao Banco Master em estruturas locais.
A menção direta à “infiltração” indica que a CPI busca estabelecer conexões que vão além da dimensão financeira e alcançam a atuação do poder público.
A convocação de Campos Neto insere o Banco Central no centro do debate.

Embora o relator tenha evitado detalhar as perguntas, foi direto ao indicar o alvo da oitiva:
“Atuação do BC.”
Nos bastidores, a linha de apuração envolve o papel do Banco Central diante de alertas sobre instituições financeiras posteriormente investigadas, além da capacidade de supervisão e resposta regulatória.
Vieira deixou claro que não pretende antecipar a estratégia da comissão:
“Não pretendo adiantar questões via imprensa. Compreendo e respeito o papel do jornalismo, mas preciso manter o foco na produção de provas. Isso não se faz via imprensa.”
A resposta sinaliza uma CPI que tenta evitar o desgaste de vazamentos prematuros, algo que marcou negativamente a CPMI do INSS, e concentrar esforços na coleta formal de elementos.
Venda do Banco Máxima deve ser explorada
Outro ponto que deve entrar na mira é a operação que levou à venda do Banco Máxima para o grupo ligado a Daniel Vorcaro.
A transação é vista por parlamentares como um episódio-chave para entender como uma instituição com histórico problemático conseguiu expandir sua atuação dentro do sistema financeiro.
Questionado sobre esse aspecto, o relator respondeu sem rodeios:
“Todos os questionamentos necessários serão feitos.”
A formulação amplia o escopo da investigação e indica que a CPI não pretende limitar sua atuação a um recorte específico do caso.
Com as oitivas previstas para a próxima semana, a CPI entra em uma fase mais sensível.
A convocação simultânea de um ex-presidente do Banco Central e de governadores desloca o eixo da investigação para o nível decisório do Estado.
Mais do que reconstruir fatos, a comissão passa a buscar responsabilidades políticas, institucionais e regulatórias sobre a forma como o crime organizado avança e se estrutura no país.



