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sexta-feira, 20 fevereiro, 2026
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Cotado para assumir o Fed defende independência do banco central dos EUA

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Em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense), Kevin Hassett, principal assessor econômico do republicano, afirmou no domingo (7) que a política monetária da instituição deve ser “totalmente independente da influência política”, inclusive do próprio presidente. Ele é cotado para liderar o Fed.

Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS News, Hassett ressaltou que a autonomia do Fed é fundamental para a estabilidade econômica dos Estados Unidos.

“O fato é que analisamos países onde os líderes assumiram o controle dos bancos centrais, e o que geralmente acontece é uma receita para inflação e miséria para os consumidores”, alertou Hassett.

A declaração surge em meio a crescentes tensões entre Trump e o banco central, marcadas por críticas frequentes do presidente ao atual chefe do Fed, Jerome Powell, e pela pressão para cortes imediatos nas taxas de juros.

Na semana passada, Trump voltou a atacar o chefe do Fed após a divulgação de novos dados indicando fragilidade no mercado de trabalho americano. Em sua rede social Truth Social, Trump chamou Powell de “sempre atrasado”, afirmando que os cortes de juros já deveriam ter acontecido há muito tempo.

“Agora, a pergunta é: o banco central atual tem sido tão independente quanto gostaríamos, tão transparente quanto gostaríamos? Acho que há certa controvérsia sobre isso”, acrescentou Hassett na entrevista.

Mudanças no Fed: Hasset concorda com secretário do Tesouro

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, defendeu mudanças no Federal Reserve e uma ampla revisão da instituição em um artigo de opinião publicado no Wall Street Journal na sexta-feira passada. No texto, ele afirmou que a “expansão excessiva de funções e o inchaço institucional ameaçam a independência do banco central”.

Questionado sobre isso, Hassett declarou concordar com a visão de Bessent, mas evitou se comprometer com a implementação das propostas caso venha a ser escolhido como próximo presidente do Fed.

“Concordo com a visão dele, mas aguardo a decisão do presidente sobre quem será o presidente do Federal Reserve, e acredito que ele e o secretário Bessent farão essa escolha com competência”, afirmou Hassett. “Há muitos ótimos candidatos.”

Demissão de diretora do Fed

Os ataques de Trump ao Fed pioraram com a tentativa dele de demitir Lisa Cook, diretora da autoridade monetária, que reagiu com uma ação judicial contra a decisão, classificando-a como ilegal.

Especialistas alertam que o afastamento direto de um membro do Conselho de Governadores por decisão presidencial é inédito e ameaça a tradição de independência da instituição.

O Fed foi estruturado para resistir a influências políticas, com mandatos longos e escalonados para seus integrantes, e autonomia financeira que o torna independente do Congresso e do Executivo. Essa estrutura visa assegurar decisões técnicas focadas em metas de longo prazo, como controle da inflação e pleno emprego, sem interferência de interesses eleitorais. A politização da política monetária, alertam analistas, pode desestabilizar os mercados, especialmente em um contexto global delicado.

Com o mandato de Powell se encerrando em maio de 2026, Trump avalia nomes como Hassett, Kevin Warsh e Christopher Waller para sucedê-lo.

Apesar das especulações, Hassett declarou que “não tem planos de reformar o Fed neste momento” e está focado em seu trabalho atual. No entanto, o cenário reforça os riscos de uma interferência política crescente sobre uma das instituições econômicas mais influentes do mundo.



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