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segunda-feira, 16 março, 2026
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Corrida pelos minerais críticos: EUA buscam acesso às reservas estratégicas do Brasil

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Os Estados Unidos lançaram uma ofensiva bilionária para garantir acesso às reservas de minerais críticos e terras raras do Brasil, segundo reportagem da BBC News Brasil. O país detém entre 20% e 23% dessas reservas no mundo, atrás apenas da China. Esses minerais, como lítio, cobalto e nióbio, são essenciais para a produção de baterias elétricas, ímãs para turbinas eólicas, chips eletrônicos e equipamentos militares, incluindo aviões, mísseis e satélites.

Segundo apuração da reportagem, a estratégia estadunidense ocorre em duas frentes: econômica e política, envolvendo tanto investidores privados quanto órgãos governamentais, como o Departamento de Defesa e o Departamento de Energia.

Na vertente econômica, os EUA planejam ampliar investimentos em companhias brasileiras ou estrangeiras com autorizações de pesquisa ou exploração de minerais críticos no país. Fontes ouvidas pela BBC afirmam que os norte-americanos estão dispostos a investir “dezenas de bilhões de dólares”, formando parcerias ou se tornando sócios de mineradoras em fase inicial.

Exemplos recentes incluem aportes na mineradora Aclara (US$ 5 milhões em 2025) e na Serra Verde (US$ 565 milhões em 2026, via Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional – DFC), garantindo participação acionária e financiamento estratégico. O investimento na Serra Verde, produtora que exporta majoritariamente para a China, marcou o início de uma tentativa de redirecionar o fluxo de minerais críticos para o mercado estadunidense.

Na quarta-feira (18/3), um fórum em São Paulo reunirá empresários e representantes governamentais dos dois países, buscando novas parcerias e investimentos em projetos localizados em Goiás, Minas Gerais e Bahia.

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que as reservas conhecidas de terras raras no Brasil têm valor estimado equivalente a 186% do Produto Interno Bruto (PIB) do país — quase duas vezes o tamanho da economia brasileira. O cálculo considera preços internacionais dos minerais e o valor do PIB de 2024.

No mesmo levantamento, o Brasil também aparece com reservas de níquel avaliadas em cerca de 12% do PIB, reforçando a posição do país entre os principais detentores regionais de ativos minerais com alto valor econômico e estratégico.

Pressão política e acordos internacionais

Na esfera política, os EUA tentam convencer o Brasil a assinar um acordo semelhante ao fechado com a Austrália em outubro de 2025, que inclui preços mínimos para minerais críticos, aceleração de licenciamento e priorização de compradores norte-americanos ou aliados, reduzindo a participação chinesa no mercado.

O governo brasileiro, entretanto, avalia que não há pressa. A estratégia de Lula prioriza diversificação de parceiros e fortalecimento do processamento local, evitando repetir o modelo de exportação de commodities sem transformação, que historicamente prejudicou o país. “Já está avisado que o Brasil não vai fazer aquilo que foi feito com o minério de ferro… agora, a parceria será para fazer os processos de transformação aqui no Brasil”, afirmou o presidente.

Geopolítica e segurança nacional

Especialistas apontam que a movimentação norte-americana é parte de uma disputa geopolítica maior. O aumento do acesso a minerais críticos é prioridade da política externa dos EUA, intensificada após a China suspender temporariamente exportações para o país em retaliação a sanções tarifárias.

A demanda global por esses minérios deve crescer 1.500% até 2050, segundo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

No Brasil, especialistas defendem aproveitar a corrida geopolítica para desenvolver a cadeia de processamento nacional, evitando exportar apenas minério bruto.

O embate sobre os minerais críticos ilustra como recursos naturais estratégicos se tornaram peças centrais de disputas econômicas e militares globais.

Entre a pressão norte-americana e os interesses chineses, o Brasil busca equilibrar oportunidades de investimento com soberania e desenvolvimento industrial, num cenário em que cada decisão terá impacto direto na geopolítica e na economia do século 21.





ICL Notícias

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