Os Correios encerraram 2025 com um prejuízo expressivo de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do resultado negativo registrado no ano anterior. O desempenho marca o 14º trimestre consecutivo no vermelho e evidencia o agravamento da situação financeira da estatal, que já vinha pressionada nos últimos anos.
Grande parte desse rombo está ligada ao pagamento de precatórios — dívidas judiciais definitivas — que somaram R$ 6,4 bilhões no período. Segundo a empresa, parte desses valores está associada a passivos herdados de gestões anteriores, além de provisões para ações trabalhistas.
Além do aumento das despesas, os Correios também enfrentaram uma retração relevante nas receitas. O faturamento bruto caiu para R$ 17,3 bilhões, impactado principalmente pela forte redução nas encomendas internacionais.
De acordo com a própria estatal, a mudança nas regras de tributação de importações de baixo valor alterou o fluxo do comércio global, provocando uma queda superior a 60% nesse tipo de envio — um dos principais pilares de receita recente da empresa.
Plano de reestruturação dos Correios tenta conter perdas
Diante do cenário adverso, a estatal colocou em prática um plano de reestruturação baseado em três pilares: recuperação financeira, reorganização do modelo de negócios e busca por crescimento estratégico.
Entre as principais medidas adotadas estão:
- Programas de demissão voluntária (PDV) para reduzir custos com pessoal
- Fechamento de unidades deficitárias, com previsão de até mil encerramentos
- Venda de imóveis e monetização de ativos
- Modernização logística e tecnológica
- Expansão da atuação no comércio eletrônico
Apesar disso, os resultados iniciais ficaram abaixo do esperado em alguns pontos. O PDV, por exemplo, teve adesão de cerca de 3,2 mil funcionários — número inferior à meta inicial, mas ainda considerado positivo pela direção da empresa.
Para lidar com a falta de liquidez, os Correios contrataram, no fim de 2025, um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos, com garantia da União. O acordo prevê carência de três anos e pagamentos até 2040.
Mesmo com o reforço de caixa, o recurso não foi suficiente para reverter o prejuízo no curto prazo, já que grande parte do valor foi destinada a cobrir despesas acumuladas.
Além disso, há possibilidade de nova captação de até R$ 8 bilhões, também com respaldo do governo federal.
Perspectivas seguem desafiadoras
Apesar das iniciativas de ajuste, o cenário à frente ainda é considerado preocupante. Projeções do governo indicam que a estatal pode continuar registrando prejuízos elevados nos próximos anos, com possibilidade de necessidade de aportes diretos da União.
No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, o Executivo já sinaliza que, mesmo com as medidas em curso, a tendência é de continuidade das perdas no curto prazo.
A situação dos Correios também pesa no resultado global das empresas públicas. Dados do Banco Central do Brasil mostram que as estatais federais registraram déficit de R$ 5,13 bilhões no último ano, com a estatal postal entre as principais responsáveis pelo resultado negativo.



