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segunda-feira, 4 maio, 2026
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Construção civil sente impacto de guerra no Oriente Médio e vê custos dispararem no Brasil

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A escalada do conflito no Oriente Médio já afeta a construção civil brasileira, com aumento disseminado nos custos de materiais e impacto direto sobre obras e financiamentos imobiliários. Dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre)  mostram que, em abril, itens essenciais registraram forte alta, como massa de concreto (mais de 4%), tubos e conexões de PVC (5%), cimento (3%), blocos (1,48%) e vergalhões de aço (quase 1%).

O movimento reflete, sobretudo, a valorização do petróleo no mercado internacional, que encarece tanto insumos derivados quanto combustíveis, pressionando também o frete e a logística. Como consequência, o INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) subiu 1,04% em abril, após alta de 0,36% em março. Em 12 meses, o índice acumula variação superior a 6%.

Segundo o FGV Ibre, a alta atinge especialmente materiais ligados à cadeia do petróleo, como PVC, além de metais como aço e alumínio, que também vêm registrando valorização no mercado internacional. O encarecimento desses insumos se espalha por toda a cadeia produtiva, elevando o custo final das obras e impactando novos projetos.

Em abril, dez entidades da construção civil solicitaram ao governo federal medidas emergenciais para conter a alta dos insumos, propondo um normativo temporário que limite a variação dos índices contratuais a um nível considerado sustentável e permita reajustes mensais enquanto durar o cenário de exceção.

Esse cenário ocorre em um momento em que o conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou a ampliação da renda máxima das famílias elegíveis ao programa Minha Casa, Minha Vida, uma grande vitrine do governo do presidente Lula (PT).

Limitações do setor ampliam impacto

A dinâmica da construção civil intensifica os efeitos da inflação de custos. A baixa capacidade de estocagem de materiais impede que empresas se protejam de oscilações de preços no curto prazo, tornando o setor mais vulnerável à volatilidade internacional.

“Não tenho como estocar o concreto, estocar uma quantidade grande de aço ou de bloco. Então, há a compra constante e não há como guardar esse material para garantir algum preço”, afirmou ao Jornal Nacional Renato Genioli, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP).

Incerteza e repasse para imóveis

O aumento dos custos ocorre em um momento em que o setor projetava recuperação, impulsionada por medidas de estímulo ao crédito imobiliário. No entanto, a pressão inflacionária tende a alterar esse cenário, com possibilidade de repasse aos preços dos imóveis e revisão de lançamentos.

O avanço do INCC-M afeta diretamente compradores de imóveis na planta, já que o índice corrige mensalmente o saldo devedor. Com a aceleração recente, parcelas tendem a subir, ampliando a preocupação de famílias que financiaram imóveis com base em cenários mais estáveis.

Sem crise de oferta, mas com volatilidade elevada

Apesar da alta dos custos, o setor não identifica, até o momento, risco de desabastecimento semelhante ao observado durante a pandemia. O principal desafio é a imprevisibilidade dos preços, que dificulta o planejamento financeiro, a definição de contratos e a formação de preços de novos empreendimentos.

Com insumos mais caros, fretes pressionados e maior incerteza, a tendência é de impacto gradual sobre o mercado imobiliário, tanto no ritmo das obras quanto no valor final dos imóveis, caso o cenário internacional permaneça instável.





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