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quinta-feira, 12 fevereiro, 2026
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Conitec rejeita inclusão de canetas emagrecedoras no SUS

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A decisão sobre a oferta de novos medicamentos para obesidade e diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS) foi negativa. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) concluiu que fármacos como Wegovy e Saxenda não serão incluídos na rede pública, mesmo os medicamentos sendo aprovados no Brasil para esses tratamentos.

O grupo técnico avaliou que o impacto financeiro seria insustentável diante das restrições orçamentárias do Ministério da Saúde.

Segundo os relatórios apresentados, o custo para atender à demanda de pacientes poderia variar entre R$ 4,1 bilhões e R$ 6 bilhões em cinco anos. Isso porque os tratamentos exigem uso contínuo e cada caneta aplicadora custa cerca de R$ 1 mil.

Com isso, a comissão manteve a cirurgia bariátrica como principal alternativa já disponível no SUS para casos de obesidade grave, e os medicamentos permanecerão fora do escopo de tratamentos oferecidos pelo SUS.

A Conitec é responsável por analisar, com base em evidências científicas, eficácia e custo-efetividade, quais terapias e medicamentos devem ser incorporados ao sistema público. No caso em questão, foram avaliados dois pedidos: o da farmacêutica Novo Nordisk, que propôs a semaglutida (Wegovy) para obesidade em pacientes com doenças cardiovasculares; e o da liraglutida (Saxenda), indicada para obesidade associada ao diabetes tipo 2.

Conitec

Wegovy, Saxenda e similares não serão incluídos na rede pública, decisão é ruim segundo especialista e Novo Nordisk (Foto: Reprodução)

Repercussão da decisão da Conitec

A recusa da Conitec em incluir os medicamentos foi recebida com apreensão pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Para a endocrinologista Maria Fernanda Barca, doutora pela Faculdade de Medicina da USP e integrante da entidade, em entrevista ao g1, a medida restringe justamente a população mais vulnerável, que perde a chance de acesso a um tratamento considerado eficaz contra a obesidade e o diabetes.

“É uma pena, porque o SUS deixa de oferecer um tratamento que poderia melhorar a evolução de doenças crônicas graves, como obesidade e diabetes, que estão ligadas a problemas cardiovasculares, inflamações, tromboses e até AVCs”, afirma Barca.

A médica lembra que terapias como a liraglutida (Saxenda) e a semaglutida (Ozempic) já mostraram resultados que vão além da redução de peso. “Eles reduzem a inflamação dos tecidos e têm efeitos positivos em condições como gordura no fígado e até na cognição de pacientes com Alzheimer. Ignorar esses resultados pode gerar custos ainda maiores no futuro com complicações mais graves, como cirrose, câncer hepático e necessidade de transplante”, destaca.

No SUS, reforça Barca, as opções de tratamento permanecem limitadas. A sibutramina, embora acessível, não pode ser usada por pacientes com problemas cardiovasculares, enquanto outras alternativas têm preços elevados. “No fim, o paciente sempre acaba tendo que pagar do próprio bolso”, lamenta.

Novo Nordisk defende incorporação

Em nota, a farmacêutica Novo Nordisk afirmou compreender as dificuldades enfrentadas pelo sistema público, mas reforçou a relevância dos medicamentos rejeitados. A empresa destacou que “compreende que o histórico subfinanciamento do SUS, somado ao contexto de desequilíbrio fiscal, restrições orçamentárias e obsolescência dos mecanismos de incorporação vigentes atualmente, impõem desafios para oferta de tecnologias inovadoras de saúde à população em nível nacional, mesmo quando estas são evidentemente custo-efetivas”.

Segundo a companhia, o próprio parecer da Conitec reconheceu o potencial da tecnologia. “Ainda assim, a Conitec confirma que o medicamento é uma tecnologia inovadora, segura, eficaz e custo-efetiva”, diz a nota.

A Novo Nordisk esclareceu ainda que solicitou apenas a avaliação do Wegovy — semaglutida voltada especificamente para o tratamento da obesidade — e não pediu a incorporação do Ozempic ao SUS.



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