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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Concentração de riqueza no mundo bate recorde em 30 anos

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A concentração de riqueza no mundo alcançou seu nível mais alto em três décadas. Hoje, os 10% mais ricos detêm 75% de todo o patrimônio global, enquanto a metade mais pobre da população fica com apenas 2%. No topo da pirâmide, o cenário é ainda mais extremo: um grupo de menos de 60 mil pessoas — o equivalente a 0,001% da população mundial — possui três vezes mais riqueza do que 2,8 bilhões de indivíduos somados.

Os dados fazem parte da terceira edição do Relatório Mundial sobre a Desigualdade 2026, produzido pela rede World Inequality Lab e coordenado pelo economista francês Thomas Piketty. O estudo considera como riqueza o patrimônio líquido das pessoas, somando ativos financeiros, bens imóveis e terras, descontando-se as dívidas.

Quando o foco deixa de ser patrimônio e passa para a renda, a lógica se mantém.

Segundo o relatório:

  • 10% mais ricos ficam com 53% da renda mundial;
  • 50% mais pobres recebem apenas 8%;
  • Os 40% do meio concentram 23% da riqueza e 38% da renda global.

Concentração de riqueza entre os ultrarricos foi a que mais acelerou

Os pesquisadores mostram que o topo da pirâmide é quem mais se beneficiou nos últimos 30 anos. A fatia da riqueza global nas mãos do 0,001% mais rico passou de 3,8% em 1995 para 6,1% em 2025.

Enquanto isso, a parcela destinada aos 50% mais pobres permanece praticamente estagnada desde o início dos anos 2000, mesmo tendo registrado algum avanço no fim dos anos 1990.

O relatório analisa ainda os efeitos de políticas tributárias e programas sociais.

Nas últimas décadas:

  • Europa, América do Norte e Oceania reduziram a desigualdade em mais de 30% graças a impostos progressivos e políticas redistributivas;
  • América Latina também registrou melhorias após as políticas criadas a partir dos anos 1990;
  • No Brasil, a desigualdade chegou recentemente ao menor nível da série do IBGE, ainda que o país siga entre os mais desiguais do planeta.

No entanto, o estudo alerta: essas políticas não foram capazes de contrabalançar o crescimento acelerado das fortunas mais altas, onde a tributação tem alcance limitado.

Tributação regressiva entre bilionários

Um dos pontos mais fortes do relatório é a evidência de que os ultrarricos pagam proporcionalmente menos impostos do que grande parte da população.

Segundo os autores, essa distorção tributária:

  • reduz a capacidade dos governos de investir em áreas essenciais, como saúde, educação e clima;
  • compromete a justiça social;
  • diminui a confiança nas instituições públicas.

Em entrevistas, Piketty destacou que a situação tende a se agravar, especialmente no Sul Global, onde muitos países gastam mais com juros da dívida do que com serviços públicos básicos. Ele também ressaltou que tanto economias avançadas quanto emergentes têm evitado cobrar mais dos super-ricos.

O relatório apresenta três cenários de taxação mundial sobre grandes fortunas:

  • Imposto de 3% sobre cerca de 100 mil pessoas ultrarricas levantaria US$ 750 bilhões por ano, equivalente a todo o orçamento educacional dos países de baixa e média renda.
  • Imposto de 2% para patrimônios acima de US$ 100 milhões geraria US$ 503 bilhões anuais — cerca de 0,45% do PIB global.
  • Alíquota de 5% poderia arrecadar US$ 1,3 trilhão por ano, equivalente a 1,11% do PIB mundial.

Para os pesquisadores, uma taxação coordenada das grandes fortunas ampliaria a capacidade fiscal dos países sem penalizar a classe média nem os mais pobres — além de ser essencial para enfrentar desafios globais como educação, saúde e crise climática.



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