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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Como uma televisão assumiu um papel estratégico na ofensiva de Trump contra a democracia

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Regimes autoritários pelo mundo devem morrer de inveja de Donald Trump quando ligam suas televisões para assistir à emissora Fox News. Poucos teriam uma rede tão fiel e oficialista como o americano, mesmo controlando a imprensa em seus respectivos países.

Nesta semana, diante da morte de Renee Good por um policial de imigração em Minneapolis, a emissora provou sua lealdade na defesa do governo.

A reportagem que apresentou a vítima explicou aos americanos que ela era uma “autodeclarada” poeta, lésbica, com um filho de um outro casamento, uma “agitadora” e sem provas de seu nível educacional.

Em resumo: ela representava tudo o que a sociedade conservadora não deveria tolerar.

A metodologia é explícita. Desmontar sua reputação e desumaniza-la. Criar uma narrativa de que não haveria motivo para ter qualquer simpatia pela vítima.

Num texto recente, a escritora Juliana Monteiro traduziu o que estava acontecendo. “A América do slogan (Make America Great Again) parece se estender por todo o continente. Mas o “Great” não é para todos. Nem para qualquer estadunidense. Certamente não para os poetas”, escreveu.

A ofensiva da emissora na defesa do ICE não é um ato isolado. Fox News e Trump tiveram seus desentendimentos no passado. Mas, para a campanha de 2024, o casamento foi reatado.

Propriedade do magnata da mídia Rupert Murdoch, a Fox News viveu algo inédito para uma rede de televisão. Trump, ao vencer a eleição, nomeou 19 ex-apresentadores, jornalistas e comentaristas da emissora para cargos de alto escalão em seu segundo mandato. Destes, sete trabalhavam para a Fox quando Trump os anunciou.

Entre eles está o ex-apresentador do programa “Fox & Friends Weekend”, Pete Hegseth, hoje o chefe do maior exército do mundo. A estrela de um reality show Sean Duffy virou secretário de Transportes.

Pete Hegseth foi apresentador do canal Fox

Não por acaso, a emissora foi a escolhida em 2025 para realizar a primeira entrevista televisiva com o presidente no Salão Oval. O jornalista Sean Hannity escalado era tão próximo ao presidente que era chamado de “chefe de gabinete paralelo”.

Nas primeiras semanas do governo, o restante da imprensa americana logo entendeu que a Fox seria o canal oficial. Num episódio, os jornalistas perguntaram para a porta-voz Karoline Leavitt sobre o que parecia ser os primeiros dias da crise entre Elon Musk e Trump. Sua resposta: já abordei isso na Fox News.

Trump sabe que conta com uma arma de uma dimensão significativa. Hoje, cerca de quatro em cada dez americanos (38%) afirmam obter notícias regularmente da Fox News, de acordo com uma pesquisa de março de 2025. Republicanos mais velhos são os que mais confiam na Fox News: 76% dos republicanos com 65 anos ou mais se informam pela emissora.

Nos Estados Unidos, a Fox News se tornou um braço de fato do Partido Republicano, influenciando a opinião pública por meio de uma cobertura construída a partir da indignação seletiva.

Enquanto Trump abala a república, invade países e retira direitos de minorias, a emissora trabalha para que tais medidas sejam recebidas por uma parcela dos americanos apenas como “bom senso” e em seus interesses. Normaliza o ódio contra o outro, justifica o abuso de poder e chancela as decisões da Casa Branca.

Em Minneapolis, comprovamos que o assassinato de uma democracia jamais ocorre sem a participação de seus cúmplices.

 



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