(UOL/Folhapress) – A Comgás e Sabesp têm até nesta sexta-feira (15) para prestar os primeiros esclarecimentos oficiais sobre a explosão que deixou um morto no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, na segunda-feira. A informação é do governo de São Paulo, que segue com vistorias nas casas afetadas nesta quinta-feira (14).
Ofício pedindo os primeiros esclarecimentos sobre a explosão foi enviado às empresas pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo). De acordo com o órgão, a medida faz parte do processo de fiscalização instaurado para apurar as causas do acidente.
Os documentos requeridos até nesta sexta-feira (15) devem “subsidiar a adoção das medidas cabíveis previstas nos contratos”, afirmou o órgão. A Arsesp é o órgão responsável por fiscalizar os serviços essenciais do estado, como água, gás e luz.
Nesta quinta-feira (14), as vistorias nas casas atingidas continuam. Cinco residências severamente impactadas pela explosão serão demolidas, informou o tenente Maxwel Souza, porta-voz da Defesa Civil.
O número de casas liberadas para os moradores segue o mesmo, de 86. O número de imóveis interditados subiu para 27. Quem perdeu a casa na explosão vai poder escolher entre a transferência imediata para apartamentos do CDHU, a compra de imóvel por carta de crédito ou a reconstrução das casas no mesmo local, após as demolições.
Gabinete de crise foi instaurado oficialmente nesta quinta-feira (14) para cuidar das demandas envolvendo a explosão. O UOL buscou a Comgás e a Sabesp para saber se as empresas querem se manifestar sobre a cobrança da Arsesp. O espaço será atualizado se houver posicionamento. Anteriormente, as duas empresas afirmaram que colaboram com as autoridades.
Entenda o caso
A explosão atingiu residências e deixou um morto e três feridos. O incidente ocorreu na área próxima à rua Dr. Benedito de Moraes Leme com a rua Piraúba, na zona oeste de São Paulo.
A Sabesp confirmou que uma rede de gás foi atingida durante trabalho da empresa no local. A explosão ocorreu enquanto a equipe técnica realizava o reparo, acrescentou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.
Um homem de 45 anos foi encontrado morto após “colapso estrutural” de uma laje, informaram os bombeiros. O corpo de Alexsandro Fernandes foi retirado dos escombros e reconhecido por um enteado da vítima, que morava com ele e a esposa.
Funcionários da Comgás também estavam na área da explosão, informou a Polícia Militar. Em nota, sem citar a Sabesp, a Comgás declarou ter recebido um chamado às 15h15 sobre um “vazamento de gás causado por uma obra de terceiros”. Eles afirmaram que a equipe da empresa chegou ao local às 15h37 e “eliminou o vazamento”.
“A concessionária esclarece que não realizava manutenção no local. A empresa segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações”, disse a Comgás, em nota ao UOL.
Em nota, a Sabesp declarou que atuava no local em uma obra de remanejamento de tubulação de água. Eles informaram que realizavam o trabalho com “alinhamento operacional e acompanhamento com a concessionária de gás”.
Uma rede de gás foi atingida durante a execução dos trabalhos, declarou a companhia. Eles informaram que paralisaram as atividades imediatamente e acionaram a concessionária para a adoção dos procedimentos técnicos necessários.
“Durante a mobilização da equipe técnica para realização do reparo, ocorreu a explosão. As causas da ocorrência estão sendo apuradas pelas empresas e pelas autoridades competentes. Neste momento, a prioridade da Sabesp é prestar todo o apoio necessário às vítimas, moradores, comerciantes e demais pessoas impactadas na área afetada, permanecendo à disposição para colaborar integralmente com as apurações”, afirma a nota da Sabesp.
O governo de São Paulo declarou ter mobilizado imediatamente viaturas dos bombeiros, Defesa Civil e Polícia Militar para atuarem na ocorrência. A gestão acrescentou que a energia na área foi desligada como procedimento de segurança.
“A área permanece isolada para garantir a segurança da população e permitir o trabalho das forças de segurança. As causas da explosão serão apuradas pelas autoridades competente”, diz o Governo de São Paulo, em nota.
A oposição protocolou pedido de CPI para investigar as falhas na prestação de serviços da Sabesp e a explosão. O documento cita reportagem do UOL que mostrou que a média mensal de queixas cresceu 70%. O aumento coincide com a privatização da companhia, em agosto de 2024. O pedido foi feito pela deputada estadual Ediane Maria (PSOL) e assinado por Carlos Giannazi (PSOL), Leci Brandão (PCdoB), Thainara Faria (PT) e Paulo Fiorilo (PT).
Já a Arsesp afirmou que equipes técnicas foram ao local para fiscalizar a atuação das concessionárias responsáveis pelos serviços regulados. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo comunicou o início das apurações das causas do acidente em conjunto com as autoridades competentes.
“A agência solicitará às concessionárias todos os documentos e registros operacionais relacionados à prestação dos serviços no local, bem como as informações específicas sobre a manutenção realizada no endereço nesta segunda-feira. Caso sejam constatadas falhas, descumprimento de normas ou responsabilidade de empresa fiscalizada, serão adotadas as medidas regulatórias e sancionatórias cabíveis. A apuração será conduzida com rigor técnico, independência e transparência”, disse.



