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quinta-feira, 7 maio, 2026
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Com tapinha no ombro e sem ‘puxão’, Lula chega à Casa Branca para reunião com Trump

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou pouco depois do meio dia (horário de Washington) à Casa Branca pela sexta vez em sua carreira política. Agora, o encontro é com Donald Trump e considerada como uma das mais esperadas.

Ao sair do comboio, Lula foi recebido pelo republicano em um tapete vermelho. Trump, ao contrário do que tem feito com dezenas de interlocutores para intimidá-los, não usou o aperto de mão para “puxar” o brasileiro. O gesto foi recebido com alívio por diplomatas, já que a marca registrada do republicano tem sido alvo de polêmicas em diferentes capitais pelo mundo. Já o brasileiro deu um tapinha no ombro do americano ao sauda-lo.

Os temas, porém, não são dos mais fáceis. Quando a reunião entre os dois presidentes foi confirmada, a ala bolsonarista passou a fazer pressão e subsidiar pessoas próximas ao presidente dos EUA com informações para prejudicar o encontro ou, pelo menos, minar os resultados da reunião.

Lula pretende propor ao americano uma cooperação para lutar contra o crime organizado, mas se recusa a falar na possibilidade de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. O Brasil ainda vai tentar explicar aos chefes da Casa Branca que não se justifica a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.

Do lado americano, Trump deve fazer propostas para uma aproximação ao país na exploração de terras raras. O Brasil, porém, rejeita a ideia de ser simplesmente um fornecedor de minérios e quer o processamento também no país.

De uma forma geral, porém, a missão de Lula é a de desenhar um pacto de não ingerência por parte de Donald Trump. Num ano eleitoral, a prioridade declarada da diplomacia brasileira é a de defender a democracia do país contra ataques externos.

A meta é a de manter aberto o canal entre os dois principais líderes no Hemisfério Ocidental e desmontar eventuais espaços para ataques contra a soberania brasileira.

Uma das linhas de atuação do Palácio do Planalto é a de fazer uma diferenciação entre o que são temas legítimos da relação entre Brasil e EUA e o que seria considerado como uma ingerência.

Lula irá levar a mensagem, por exemplo, de que classificar grupos criminosos brasileiros como “terroristas” não se justifica e rebater as investigações comerciais contra o país.

O governo dirá com todas as letras: “não existem terroristas no Brasil”.

Durante o encontro, a delegação brasileira levará dados do combate ao crime organizado e vai mostrar a diferença entre o narcotráfico e o terrorismo. Os membros do governo vão insistir que o Brasil “não tem grupos terroristas”.

Tudo, porém, terá como pano de fundo a tentativa de construção de uma relação que dê garantias ao Brasil de sua capacidade de autonomia na região e a preservação do processo eleitoral sem a interferência do governo dos EUA.

A esperança é de que, com a visita, Lula consiga evitar que Trump se envolva diretamente numa tentativa deliberada de desestabilização do Brasil. O risco continua sendo alto mesmo com o republicano neutralizado. Para a diplomacia brasileira, essa ingerência pode ocorrer por meio das big techs, de grupos ultraconservadores da sociedade civil americana e por ações encobertas por parte de alas mais radicais do trumpismo.





ICL Notícias

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