O dólar comercial encerrou o primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais em forte disparada de 8,21%, cotado a R$ 5,403 na venda — marcando a maior valorização diária da moeda americana desde janeiro de 1999. Na Bolsa de Valores, o Ibovespa viveu um dia de forte estresse e despencou 13,88%, fechando aos 176.357 pontos em seu pior desempenho desde março de 2020, o que levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker durante a manhã para suspender temporariamente as negociações.
A reação violenta dos mercados refletiu o desmonte das posições montadas pelos investidores após o primeiro turno, que apostavam na vitória da oposição e em um cenário fiscal mais conservador. Com a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os agentes econômicos passaram a exortar maior prêmio de risco diante das incertezas sobre a condução da política fiscal e das contas públicas a partir de 2027. O movimento provocou uma disparada nas curvas de juros futuros — com os contratos longos superando os 15% ao ano —, destoando do comportamento positivo registrado em Wall Street.
Cenário fiscal e taxa de juros
O salto vertiginoso nas taxas de juros futuras e no dólar elevou expressivamente o custo de capital das empresas, reacendendo os temores de desaceleração econômica e aumento das despesas financeiras das companhias endividadas, anulando os ganhos acumulados pela Bolsa brasileira ao longo de todo o mês de outubro.
Destaques corporativos
A forte alta dos juros e a aversão ao risco penalizaram severamente empresas voltadas ao consumo interno e endividadas, com perdas expressivas lideradas por Magazine Luiza (MGLU3), Vamos (VAMO3), Hapvida (HAPV3), C&A (CEAB3) e pelo setor bancário, como o Itaú Unibanco (ITUB4). Por outro lado, companhias exportadoras favorecidas pela valorização da moeda americana registraram os únicos ganhos expressivos do índice, lideradas por Suzano (SUZB3), Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3), Vale (VALE3) e Klabin (KLBN11).



