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quinta-feira, 2 abril, 2026
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Ciro Nogueira tinha grupo de WhatsApp com investigados na máfia dos combustíveis, diz revista

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Mensagens reunidas no âmbito da Operação Carbono Oculto indicam que o senador Ciro Nogueira integrou um grupo de WhatsApp com empresários investigados por supostas fraudes no setor de combustíveis. Os dados foram obtidos após a quebra de sigilo telemático de Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, alvos de apurações por adulteração de combustíveis, fraudes comerciais, ocultação de bens e lavagem de dinheiro. A informação está na revista Piauí desta quarta-feira (1º) e a relação entre o senador e os investigados foi revelada em série de matérias que o ICL Notícias começou a publicar em novembro de 2025.

O grupo, denominado “Ciro Vitor Haran Danilo”, reunia o senador, os dois empresários e Victor Linhares de Paiva, conhecido como Vitinho, ex-assessor de Nogueira e também denunciado pelo Ministério Público do Piauí. Apesar de as conversas utilizarem mensagens temporárias, capturas de tela salvas por um dos integrantes permitiram o acesso parcial ao conteúdo pelos investigadores.

Em uma das interações, datada de novembro de 2023, o senador convida os participantes para um encontro em sua residência, em Teresina. Naquele período, Haran e Danillo negociavam a venda de parte da rede de postos HD para empresários ligados à distribuidora Copape. Já em dezembro, mensagens apontam discussões sobre o andamento das negociações, com resposta direta de Nogueira a atualizações compartilhadas no grupo.

Prints de conversas obtidos pela polícia e publicados pela revista Piauí

Os registros também revelam novas interações no início de 2024. Em janeiro, o senador sugeriu um encontro em um hotel, prontamente aceito pelos demais integrantes. De acordo com a polícia, há indícios de que reuniões presenciais ocorreram, embora nem todas tenham confirmação oficial.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificaram movimentações envolvendo empresas ligadas ao grupo investigado e ao senador.

Entre os apontamentos, há transferências consideradas atípicas, sem justificativa econômica clara, incluindo repasses entre empresas associadas ao esquema e uma companhia vinculada a Nogueira. Parte dessas transações teria sido realizada por meio de uma instituição de pagamento citada na investigação.

O portal ICL Notícias já havia informado que, em fevereiro, o senador Ciro Nogueira se reuniu com Haran e Danillo no aeroporto de Brasília. A reportagem inclui uma foto em que os três aparecem conversando — imagem que também foi posteriormente obtida pela revista Piauí — e relata que eles seguiram juntos em voo para Teresina.

O ICL Notícias revelou a existência de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontando movimentações financeiras envolvendo uma empresa do senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. Segundo o documento, a companhia recebeu R$ 63,9 mil da Pima Energia Amizade em 2025.

A Pima foi criada por Beto Louco e Primo para administrar postos de combustíveis adquiridos de Haran e Danillo no Piauí. Ainda conforme o Coaf, a empresa ligada ao senador também realizou uma transferência de R$ 25,1 mil para a HD Petróleo Uruguai Ltda, um dos postos pertencentes aos dois empresários.

Apesar das menções, Ciro Nogueira não é alvo da operação. Em nota enviada à revista, sua assessoria afirmou que ele não tem envolvimento com práticas ilegais e que qualquer tentativa de vinculá-lo ao caso é infundada. Outros parlamentares, como Júlio Arcoverde, também aparecem nos materiais apreendidos, mas igualmente não são investigados.





ICL Notícias

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