No dia em que a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, com mandados de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o parlamentar cancelou uma audiência de conciliação, prevista também para esta quinta-feira (7), no processo que move contra o piloto Mauro Caputti Mattosinho.
Mattosinho transportava regularmente uma dupla que, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Federal (PF), liderava um mega-esquema de lavagem de dinheiro que atendia ao PCC. O piloto trabalhava na empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) onde atuava como piloto de Roberto Augusto Leme da Silva, Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”.
Ciro moveu um processo na Justiça contra Mauro Mattosinho após o piloto denunciar ao ICL Notícias ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido.
Ciro, então, processou Mauro Mattosinho por Dano Moral e Direito de Imagem, em ação cujo valor da causa é de R$ 30 mil reais. Nesta quinta, estava prevista a realização de uma audiência de conciliação entre os dois.
Após a operação da PF que teve endereços ligados a Ciro Nogueira entre os alvos, os advogados do senador afirmaram que ele “foi surpreendido com o cumprimento de medidas de busca e apreensão amplamente divulgadas pela imprensa, circunstância excepcional e superveniente que demandou seu acompanhamento pessoal imediato, sobretudo diante da necessidade de acompanhamento dos atos investigativos, atendimento às autoridades competentes e adoção de providências jurídicas urgentes e inadiáveis”.
“Trata-se de situação extraordinária, imprevisível e alheia à vontade da parte que impede a sua participação na audiência, apta a justificar o adiamento do ato processual, em observância aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da paridade de armas, evitando-se prejuízo processual irreparável”, disse a defesa de Ciro, ao pedir o adiamento da audiência.
À época das publicações do ICL Notícias com as denúncias de Mauro Mattosinho, Ciro Nogueira negou ter “tido proximidade de qualquer espécie” com Beto Louco e também negou ter recebido qualquer valor.

Operação Compliance Zero
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Ciro Nogueira, nesta manhã, em Brasília e no Piauí. Ele está proibido de manter contato com os demais investigados.
A PF “aponta a identificação da suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”. O irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Nogueira, também foi alvo de buscas.
A decisão judicial autorizou, ainda, o bloqueio de bens, direitos e valores na casa dos R$ 18,8 milhões.
A defesa do senador afirmou que ele está comprometido “em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”, e está à disposição para esclarecimentos.
A decisão de Mendonça reproduz informação da PF, segundo a qual o texto da emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, com objetivo de ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, “foi elaborado pela assessoria do Banco Master”. A redação da emenda foi encaminhada por André Kruschewsky a Daniel Vorcaro, impressa e “entregue em envelope endereçado a ‘Ciro’, no endereço residencial do senador”.
“Ainda de acordo com a Polícia Federal, o conteúdo da versão entregue é ‘reproduzido de forma integral pelo parlamentar’ ao Senado, tendo VORCARO afirmado, logo após a publicação da proposta de Emenda, que o ato legislativo ‘saiu exatamente como mandei’”, diz a decisão de Mendonça.
Segundo o texto, foram identificadas minutas de outros projetos de lei de interesse de Vorcaro encampados pelo senador e revisados pelo banqueiro. Diz a polícia que Ciro atuou em favor do dono do Banco Master ”em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.



