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China reage a ameaça de Trump e diz que acordo com o Canadá não mira terceiros

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O governo chinês afirmou nesta segunda-feira (26) que seus entendimentos comerciais e econômicos com o Canadá não têm como objetivo prejudicar outros países. A declaração foi uma resposta direta às recentes ameaças tarifárias feitas pelos Estados Unidos, após a aproximação entre Pequim e Ottawa.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, as relações internacionais devem ser guiadas por cooperação e benefícios mútuos. “A China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”, afirmou durante coletiva de imprensa.

No sábado (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que poderá impor tarifas de até 100% sobre produtos canadenses caso um acordo comercial entre Canadá e China seja concluído. A ameaça veio dias depois do anúncio de uma nova parceria estratégica entre os dois países, revelada após a visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a Pequim.

A viagem marcou o primeiro encontro de um líder canadense com autoridades chinesas em oito anos e sinalizou uma tentativa de reaproximação entre os dois países. Um dos principais pontos em negociação envolve a redução das tarifas chinesas sobre a canola canadense. Em contrapartida, o Canadá planeja permitir a entrada de quase 50 mil veículos elétricos chineses em seu mercado, com tarifa de 6,1% — bem inferior à taxa atual de 100%.

Trump reagiu de forma dura à possibilidade do acordo. Em publicação na rede Truth Social, afirmou que o Canadá não pode se tornar um “porto de descarga” para produtos chineses com destino aos Estados Unidos. Segundo ele, caso o acordo avance, todas as mercadorias canadenses que entrarem no mercado americano estarão sujeitas a tarifas de 100%.

Canadá tem buscado reconstrução de relações comerciais com a China

Mark Carney tem buscado recompor os laços com a China, hoje o segundo maior parceiro comercial do Canadá, atrás apenas dos EUA. Inicialmente, o plano prevê a liberação de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa reduzida, seguindo as regras de nação mais favorecida. O volume, segundo o premiê, pode crescer gradualmente até cerca de 70 mil unidades em cinco anos.

A mudança representa um recuo em relação à política adotada pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, que em 2024 impôs tarifas de 100% sobre veículos elétricos chineses, acompanhando medidas semelhantes dos Estados Unidos. Em 2023, a China exportou pouco mais de 41 mil veículos elétricos para o mercado canadense.

Carney afirmou que o novo acordo cria condições mais favoráveis para o desenvolvimento do setor automotivo canadense. Para ele, a construção de uma indústria competitiva de veículos elétricos passa pelo aprendizado com parceiros inovadores, acesso a cadeias globais de suprimentos e estímulo à demanda interna — um discurso que se distancia da justificativa anterior de proteção contra fabricantes chineses subsidiados.

Apesar de divergências dentro do governo americano, o próprio Trump chegou a demonstrar apoio à iniciativa de Carney na semana passada, afirmando que fechar acordos comerciais é positivo, inclusive com a China.

No Canadá, porém, o acordo também enfrenta críticas internas. O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, alertou que a medida pode abrir espaço para uma enxurrada de veículos chineses baratos sem garantias claras de investimentos equivalentes no setor automotivo e na cadeia produtiva local.

Impacto agrícola e concessões chinesas

As negociações também buscam reverter os efeitos das retaliações chinesas impostas após as tarifas de Trudeau. Em março, a China aplicou taxas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, incluindo óleo e farinha de canola, ampliadas meses depois para sementes do grão. Como resultado, as importações chinesas de produtos canadenses caíram mais de 10% em 2025.

De acordo com Carney, o novo acordo prevê a redução das tarifas sobre sementes de canola para cerca de 15% até 1º de março, frente ao patamar atual de 84%. Além disso, produtos como farinha de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas devem ter as medidas antidiscriminatórias suspensas ao menos até o fim do ano.

O governo canadense estima que os entendimentos destravem aproximadamente US$ 3 bilhões em pedidos de exportação, beneficiando agricultores, pescadores e processadores do país. Em nota, o Ministério do Comércio da China confirmou que está ajustando medidas antidumping e tarifas sobre produtos agrícolas e aquáticos canadenses, em resposta à redução das taxas canadenses sobre veículos elétricos.



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