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Por Rodrigo Durão Coelho – Brasil de Fato
A comunista “moderada” Jeannette Jara é a favorita para o pleito deste domingo (16) que começa a definir quem ocupará a presidência chilena pelos próximos quatro anos. Ela tem 33% das intenções de voto, segundo pesquisa Atlas/Intel de 31 de outubro, seguida por dois candidatos da extrema direita empatados, que buscam vaga no segundo turno a ser disputado em 14 de dezembro.
Tanto José Antonio Kast como Johannes Kaiser têm cerca de 16% do eleitorado, segundo a pesquisa. Além do próximo presidente, as eleições deste ano também renovam o Legislativo chileno.
Pesquisas mostram que a criminalidade é o tema que mais preocupa o eleitorado do país. Um estudo realizado pela Ipsos em 30 países em outubro coloca o Chile como o segundo país mais preocupado com a questão, com 63% da população afirmando que melhorar a segurança é a principal tarefa do próximo presidente.
Apesar de ser um dos países mais seguros da América Latina, os índices de criminalidade vem apresentando um crescimento expressivo nos últimos anos. O número de homicídios dobrou — passou de 2,32 por 100 mil habitantes em 2015 para 6 em 2024 — e os sequestros têm alta histórica, em grande parte ligado ao aumento da atuação de organizações criminosas, o que explica por que o tema foi um dos mais abordados — ao lado do combate à imigração ilegal — por todos os candidatos, inclusive a comunista Jara, em uma postura rara do campo progressista.
“O controle imigratório de fato questiona posições tradicionais da esquerda, com a defesa dos direitos de ir de todos e a hospitalidade que o próprio pensamento liberal originalmente defendia. Mas não se pode esquecer que a soberania popular no fim das contas define quem habita um determinado país. Há sempre uma tensão entre esses dois vetores”, disse ao Brasil de Fato José Maurício Domingues, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos e analista político da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
“Já no caso da segurança, já passou da hora de a esquerda latino-americana entender que este é um tema que aflige a todos. Obviamente, embora trate dessa questão, as posições de Jara são muito diferentes das dos candidatos da direita”, pondera.
Embora lidere no primeiro turno, a pesquisa Atlas/Intel indica que Jara perderia em um eventual segundo turno para os principais adversários de direita e extrema direita caso o pleito ocorresse no início de novembro.
O analista da Uerj diz que ela é certamente atrapalhada pelo anti-comunismo que existe no país, mas “talvez não seja uma barreira intransponível quando houver uma unidade da direita no segundo turno e ficar claro que ela é uma opção confiável para a democracia”.
A extrema direita é representada por dois nomes com chances de chegar ao segundo turno. Kast é filho de um ex-soldado do Exército nazista e irmão de um ex-ministro de Pinochet. Ele fundou em 2019 seu partido (Republicano), no qual exerce forte controle sobre seus dirigentes. Tem como bandeiras principais o combate ao crime e aos imigrantes irregulares.
Admirador de Pinochet, nesta campanha evitou temas como rejeição ao aborto e casamento igualitário, se concentrando em defender o aumento do poder de fogo da polícia.
Já o Youtuber Johannes Kaiser é ainda mais extremista que Kast. Ironizando estupros e questionando o voto feminino, ele usa abotoaduras com o símbolo da Cruz de Ferro alemã – condecoração militar usada desde o século 19, mas associada a símbolos de ódio por alguns, devido ao seu uso durante o nazismo.
Defende endurecer bastante a segurança e a expulsão de imigrantes ilegais, propondo a transferência de estrangeiros em situação de irregularidade e com antecedentes criminais para a mega prisão de El Salvador que já abriga expulsos pelos Estados Unidos. Kaiser é ultraliberal na economia e conservador nos costumes.
Correndo por fora, outra candidata de direita, Evelyn Matthei, representando a classe política tradicional, com 13% das intenções de voto. Ela também defende uma política de linha dura contra a imigração ilegal.
O analista José Maurício Domingues diz que o crescimento internacional da extrema direita pode beneficiar o Youtuber. “Katz era o candidato da direita dura, porém ao menos aparentemente civilizada”, diz ele.
“Kaiser vem correndo pela extrema direita e pode, por parecer mais antissistema, ultrapassar seu concorrente nesse lado do campo. Essa é uma tendência global.”ireita e pode, por parecer mais antissistema, ultrapassar seu concorrente nesse lado do campo. Essa é uma tendência global.”
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