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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Cheia histórica no Amazonas afeta mais de 500 mil pessoas e paralisa cidades

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A cheia dos rios no estado do Amazonas já impactou diretamente mais de 534 mil pessoas em 2025, segundo levantamento do governo estadual. De um total de 62 municípios, 40 decretaram situação de emergência e outros 18 estão em estado de alerta diante do avanço do nível das águas. As nove calhas de rios da região estão em processo de elevação, resultado de um período de chuvas intensas que ultrapassou os índices históricos para o trimestre.

Segundo a Defesa Civil do Amazonas, o fenômeno tem afetado gravemente o cotidiano das cidades, dificultando o transporte, o abastecimento de alimentos e o funcionamento de serviços essenciais. A cheia atual já é considerada uma das maiores desde 2021, quando diversas localidades bateram recordes de elevação do nível dos rios.

Nível dos rios sobe em todo o estado

Em Manaus, capital do estado, a calha do rio Negro registrou 29,04 metros na última sexta-feira (4), conforme boletim da Defesa Civil. A cidade se aproxima do nível considerado crítico de enchente — 30,02 metros, marca registrada em junho de 2021.

No município de Itacoatiara, na calha do médio Amazonas, o rio atingiu 14,42 metros, também se aproximando do seu recorde histórico de 15,20 metros. Já em Parintins, cidade situada na calha do baixo Amazonas, a medição chegou a 8,42 metros, contra os 9,46 metros registrados como cota máxima em 2021.

A subida das águas vem sendo observada em ritmo acelerado, o que tem elevado a preocupação das autoridades locais com as consequências socioeconômicas da enchente.

Escolas fechadas e auxílio humanitário

Além dos impactos urbanos e rurais, a cheia provocou a suspensão das aulas em algumas localidades. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, 444 estudantes estão sem aulas nos municípios de Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini. A previsão é que o número aumente caso o nível dos rios continue subindo nas próximas semanas.

Em resposta à crise, o governo Wilson Lima (União Brasil) já enviou 580 toneladas de cestas básicas para atender 18 municípios afetados. A distribuição de mantimentos visa mitigar os efeitos imediatos da interrupção do transporte de alimentos e outros produtos essenciais.

Imagens captadas em Anamã mostram ruas completamente alagadas, com água alcançando os tornozelos de pedestres. Em diversos trechos, mercados e escolas foram invadidos pela água, dificultando o deslocamento e paralisando a economia local.

Chuvas acima da média histórica

A situação atual é consequência de um prolongado período de chuvas que atingiu níveis muito acima da média. Segundo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a zona de convergência intertropical — sistema climático que influencia a região norte — foi a principal responsável pelas chuvas intensas nos últimos meses.

Em junho, a capital Manaus registrou 236,9 mm de chuva, o que representa um aumento de 102% em relação à média histórica para o mês. A instabilidade climática se estendeu até o início de julho, com previsão de chuvas moderadas a fortes em áreas da região metropolitana e do norte do estado.

Neste sábado (5), o Inmet apontou a presença de nuvens carregadas sobre o Amazonas, com potencial para novas pancadas de chuva nos próximos dias, inclusive na capital.

Realidade desigual entre regiões

Enquanto o Amazonas lida com excesso de água, outras regiões da Amazônia Legal enfrentam situação oposta. O sudeste do Pará e o estado do Tocantins, por exemplo, estão em período de estiagem, sem registro significativo de chuvas no início deste mês. A discrepância entre os extremos da região norte ilustra os efeitos desiguais da crise climática sobre o território brasileiro.

A Defesa Civil estadual mantém o monitoramento diário do nível dos rios e orienta a população ribeirinha a permanecer atenta às atualizações. A previsão é que o pico da cheia ocorra até meados de julho, com tendência de estabilização a partir do final do mês, dependendo do comportamento das chuvas nas próximas semanas.

Desafios logísticos e saúde pública

Com estradas submersas e portos parcialmente isolados, o transporte de alimentos, combustíveis e medicamentos vem sendo comprometido. Em diversas localidades, balsas e barcos são o único meio de locomoção entre comunidades e centros urbanos.

Há também preocupação com surtos de doenças típicas do período de cheia, como leptospirose, hepatite A e infecções respiratórias. O governo estadual afirma estar preparando mutirões de saúde para os municípios mais atingidos, com foco na prevenção e no atendimento médico emergencial.

Especialistas alertam que o fenômeno das cheias intensas tende a se repetir com maior frequência nos próximos anos, em razão das mudanças climáticas. “Estamos vivendo um cenário cada vez mais desafiador. O ciclo das chuvas está mais intenso e irregular, e isso exige políticas públicas voltadas à resiliência das populações amazônicas”, afirma a meteorologista Elisa Pereira, do Inmet.

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