[ad_1]
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Manifestantes bolsonaristas se reuniram, ao longo deste domingo (7), em atos em Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo e no Rio de Janeiro. As manifestações tiveram pedidos de anistia aos envolvidos na trama golpista de 2022, defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), críticas ao presidente Lula (PT) e ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal).
No Rio de Janeiro, os bolsonaristas se reuniram na orla de Copacabana e ocuparam o equivalente a um quarteirão da orla, bem abaixo de protestos anteriores realizados no mesmo local, como no 7 de Setembro de 2022, por exemplo. Estiveram presentes figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador Cláudio Castro e os deputados federais Alexandre Ramagem (PL), Luiz Lima (Novo), Eduardo Pazuello (PL) e Hélio Lopes (PL).
O historiador João Cezar de Castro Rocha, comentarista e colunista do ICL Notícias, esteve presente na manifestação em Copacabana e salientou que o ato foi “um grande fracasso”. “A manifestação foi um grande fracasso, não digo de maneira partidária, digo para quem esteve no epicentro da manifestação. Os números importam menos do que a desagregação crescente dos que comparecem às manifestações bolsonaristas. A massa bolsonarista compacta, aguerrida, unida, densa, parece não mais existir”, disse.
“Eu acompanho as manifestações bolsonaristas desde 2018. O que me chama a atenção das duas últimas e nesta, em particular, é menos o número, embora, claro, o número seja significativo. O que me chama a atenção é a desagregação das pessoas presentes”, salientou.
Segundo a metodologia do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common, foram 42,7 mil na manhã deste domingo (7) na orla de Copacabana.
Durante os atos no Rio e em Brasília, foi divulgado um áudio em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ataca o Supremo Tribunal Federal (STF), chamando ministros da corte de “perversos, tiranos e injustos”. Michelle acusou autoridades de perseguição política e afirmou que o Brasil vive sob uma “ditadura”.
Segundo ela, “crianças foram levadas para um campo de detenção montado na Polícia Federal” e “idosas foram espancadas na cadeia” após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ela chamou o julgamento de “uma grande peça teatral com enredo de perseguição e ilegalidades”.
Copacabana, 7 de setembro. 11h45. A guerra das bandeiras e como se revela o que estava oculto. pic.twitter.com/6oJJtV7xIC
— João Cezar de Castro Rocha (@joaocezar1965) September 7, 2025
De acordo com Castro Rocha, porém, nem mesmo o áudio de Michelle conseguiu empolgar o público presente. “O que realmente me impressiona é como o ânimo cada vez mais se esmorece. Apareceu, em um certo momento, uma gravação da Michelle Bolsonaro, como se fosse uma comentarista da rádio ‘Jovem Pan’. Ainda assim, o entusiasmo da multidão foi pouco”.
No ato, os manifestantes exibiam faixas pedindo anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e denunciando o que chamam de “ditadura da toga”.
Essa foi a preparação do ato dos bolsonaristas golpistas em Copacabana hoje !! pic.twitter.com/6OVNnsQkco
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) September 7, 2025
Trata-se de mais uma manifestação organizada pelo pastor Silas Malafaia, aliado de Bolsonaro. Com o avanço das investigações, eventos dessa natureza passaram a ser organizados nas principais capitais do país. Em prisão domiciliar e com tornozeleira eletrônica, Bolsonaro não participou do protesto no Rio.
Ele é suspeito de ter agido, em parceria com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL), seu filho, para atrapalhar o andamento da ação penal. Eduardo, que está nos Estados Unidos, também não participará, mas o pastor vai discursar no alto do palanque que foi montado na avenida Paulista. No mês passado, Malafaia foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal. Ele também é suspeito de tentar obstruir as investigações do plano golpista.
Em Brasília, um dos discursos mais inflamados foi o do deputado Zé Trovão (PL), que atacou Lula e Moraes. “Os dias de vocês estão se acabando. Vocês não vão permanecer sendo corruptos, imundos e ditadores que vocês são”, disse. Já a deputada Bia Kicis (PL-DF) classificou o desfile cívico-militar de 7 de Setembro como um “desfile de comunistas”.
Manifestação bolsonarista em SP
Em São Paulo, os bolsonarista se reuniram, na tarde deste domingo, na avenida Paulista, em São Paulo. Reunidos nas imediações do Masp, os manifestantes empunham símbolos usados pelo bolsonarismo, como a bandeira de Israel e o batom, uma referência a cabeleireira Débora Rodrigues, condenada por sua participação no ataque do 8 de Janeiro. Débora pichou com batom a estátua “A Justiça” diante do STF.
O que se percebe como diferencial do protesto deste 7 de setembro é a grande quantidade de faixas e cartazes escritas em línguas estrangeiras, numa tentativa de chamar a atenção internacional para as causas agora defendidas pelos bolsonaristas. Nas grades próximas ao palanque, por exemplo, centenas de pessoas mostram um cartaz com o dizer “SOS Trump, Bolsonaro Free”. Também são avistadas placas com a imagem de Carla Zambelli, que está presa na Itália.
Bolsonaristas exibem bandeira dos EUA em São Paulo.
Nas placas, existem mensagens em italiano e em inglês: “Libertá per Zambelli” e “Freedom for Zambelli” -liberdade para Zambelli, em português. Desta vez, a camisa da seleção, sempre usada pelos manifestantes bolsonaristas, se mistura em camisas que também trazem as cores da bandeira dos Estados Unidos.
O ato reuniu 42,2 mil pessoas, segundo metodologia do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common, que consiste em usar imagens da multidão capturadas por drones. Com a margem de erro de 12%, o cálculo aponta um público, no momento de pico, entre 37,1 mil e 47,3 mil participantes. A contagem foi feita a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial. Em 2024, no ato 7 de setembro na Avenida Paulista, foram 45,4 mil pessoas.
No ato, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a anistia geral, pressionou o presidente da Câmara, Hugo Motta, a pautar o tema e disse que o julgamento que ocorre no STF é sobre “um crime que não existiu”. O governador paulista disse que o julgamento não é justo, voltou a falar em “narrativas” e mandou indiretas a Alexandre de Moraes.
“Não vamos aceitar a ditadura de um Poder sobre o outro. Chega”, disse em recado ao Supremo. “Não vamos aceitar que nenhum ditador diga o que temos que fazer.” Em certo momento chamou Moraes de ditador e de tirano. “Ninguém aguenta mais tirania de um ministro como Moraes.”
“Nós não vamos mais aceitar que nenhum ditador diga o que a gente tem que fazer.”
*Com Folhapress



