Um caseiro de 37 anos foi resgatado de uma propriedade em Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, após viver por anos em condições análogas à escravidão. Segundo relatos de familiares, ele costumava rezar diariamente para ser libertado da situação em que vivia.
O trabalhador foi encontrado durante uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego. De acordo com a investigação, ele realizava diversas atividades no local, sem registro em carteira e em condições degradantes. A vítima também apresentava sinais de vulnerabilidade social e dependia integralmente dos empregadores.
Equipes da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) constataram que o trabalhador exercia a função há cerca de 18 anos. Ele morava no local com esposa e filhos, sem registro formal do vínculo empregatício e sem acesso aos direitos trabalhistas básicos.
Familiares afirmaram que o homem alimentava a esperança de ser resgatado e frequentemente fazia orações pedindo ajuda para deixar o local. O caso veio à tona após denúncias que motivaram a fiscalização.
Após o resgate, o trabalhador recebeu atendimento especializado e teve seus direitos trabalhistas reconhecidos. Os responsáveis pela propriedade poderão responder pelas irregularidades constatadas, enquanto as autoridades acompanham o caso.
O resgate foi realizado um dia antes ao da operação que encontrou uma doméstica que passou 55 sem receber salário no município de Eusébio, vizinho a Aquiraz.
A legislação brasileira considera trabalho análogo à escravidão situações que envolvem condições degradantes, jornada exaustiva, trabalho forçado ou restrição da liberdade do trabalhador.
O empregador, que não teve a identidade revelada, alegou que pagava regularmente o salário do homem, mas não apresentou comprovantes de pagamentos à Auditoria-Fiscal do Trabalho(AFT) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT).



