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terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Candidatas denunciam irregularidades em teste físico do concurso do Corpo de Bombeiros do RS — Brasil de Fato

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Candidatas do concurso público para o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) denunciam uma série de irregularidades na aplicação do Teste de Aptidão Física (TAF), realizado no dia 15 de outubro, sob responsabilidade da Fundatec. Segundo relatos coletivos, a etapa apresentou condições distintas das previstas em edital, com falhas técnicas, mudanças de formato e condições desiguais de execução – resultando em índices de eliminação superiores a 80% entre as mulheres.

As denunciantes afirmam que a organização dividiu o teste em duas etapas – barra, abdominal e corrida na primeira, e subida na corda, simulação de resgate e natação na segunda. No exercício de simulação de resgate, o edital previa que a candidata considerada apta deveria percorrer 50 metros carregando um manequim de 70 kg em até 36 segundos. Diversas participantes afirmam que a organização modificou a execução da prova sem aviso e em desacordo com o edital.

Inconsistências na prova

“Treinamos durante meses para a execução conforme as regras publicadas. No dia da aplicação, fomos surpreendidas com obstáculos adicionais, equipamentos diferentes e mudanças na posição do boneco. Foi um massacre físico e emocional”, relata a candidata Larissa Tonetto, uma das porta-vozes do grupo que reúne mais de 300 mulheres eliminadas.

Entre as principais irregularidades relatadas pelas candidatas estão a posição incorreta do boneco de resgate, aplicado em decúbito dorsal (com a barriga e o rosto virado para cima) – quando o edital previa decúbito ventral (com barriga e rosto virado para baixo). Ainda, o uso de bonecos diferentes e não padronizados tecnicamente, sem estrutura firme e com peso mal distribuído; a cronometragem de tempo desigual, com dois cronômetros marcando tempos distintos, a alteração de formato, com execução em duplas no turno da manhã e trios à tarde, sem previsão editalícia; distância e marcações diferentes das previstas.

Além disso, diversas condições externas dificultaram a execução da prova e ofereceram poucas condições de segurança para as participantes. O piso irregular e escorregadio ocasionou quedas. O ambiente estaria com odor forte de tinta e com presença de areia, dificultando a respiração e o desempenho nas provas. E ainda, o tempo de espera excessivo entre cada exercício, chegando a mais de cinco horas.

As candidatas ainda pontuam a Ausência da Comissão Permanente de Acompanhamento de Fiscalização (Copafi) em parte da execução da prova.

Suspeita de misoginia

De acordo com as denunciantes, embora o edital tenha dividido o TAF em vários dias, todas as 336 mulheres foram convocadas para o primeiro dia de aplicação, enquanto 1.852 homens foram distribuídos nos demais dias – o que, segundo elas, as colocou em desvantagem e criou uma situação de “teste experimental”, sem parâmetros anteriores.

“As regras do jogo mudaram no meio da partida. Fomos as primeiras a realizar um exercício inédito no estado, sem padronização, onde os avaliadores não tinham sequer clareza sobre o que cobrar”, afirma Larissa.  

As denúncias já foram encaminhadas a autoridades estaduais e parlamentares. Segundo as candidatas, há uma reunião agendada para a próxima segunda-feira (27) com o comando do CBMRS e a Secretaria da Segurança Pública (SSP). O secretário Jorge Pozzobom confirmou, por telefone, que está acompanhando a situação e que o caso será apurado em reunião interna. Também há agenda marcada com a ex-deputada e liderança política Manuela D’Ávila. 

As participantes pedem a revisão dos resultados da etapa e a possível anulação do TAF, com base nos princípios da legalidade e isonomia previstos nos concursos públicos. 

O grupo também questiona a falta de preparo técnico e sensibilidade de gênero na condução da prova.

Sistema arcaico

O sargento Jeferson França, vice-presidente da Associação dos Bombeiros Militares (Abergs), instituição que representa desde o soldado ao coronel do corpo de bombeiros, relata que mesmo antes de iniciar o processo seletivo a associação se manifestou apontando que os testes estariam demasiadamente pesados para o que se propõem. A fase mais crítica era considerada a prova física, contestada pela associação já na época do lançamento do edital, porém, esses questionamentos não foram acatados pelo comando do Corpo de Bombeiros.

O teste inclui uma prova teórica, uma prova médica e uma prova física – e foi esta última que ocasionou 80% de reprovação entre as mulheres.
A responsabilidade sobre a metodologia está sendo atribuída ao Comando do Corpo de Bombeiros e à Fundatec, que não garantiu a padronização dos equipamentos para a execução dos testes. 

França e as denunciantes apontam possível caráter misógino no processo seletivo, já que a organização convocou os candidatos para os testes físicos com base no gênero, e não na classificação da prova prática. “Todas as mulheres foram chamadas para o primeiro dia, e suas provas, aplicadas com diversas inconsistências, foram alteradas no segundo dia de testes. Com isso, apenas o primeiro bloco – o das mulheres – acabou prejudicado pelas falhas do processo.”

“Sabemos que o sistema militar ainda é arcaico e a associação se coloca na defesa de possíveis represálias que essas mulheres possam vir a sofrer dentro das instituições”, reforça França. 

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Fonte: Brasil de Fato

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