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sexta-feira, 21 agosto, 2026
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Canal Ligue 180 registra alta de 90% nos atendimentos em 2026

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Por Bárbara Sá

(Folhapress) – O canal federal responsável por receber denuncias de violência contra mulheres teve uma disparada de 90,8% no número de atendimentos feitos nos primeiros sete meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Ao todo, o Ligue 180 registrou 1.035.647 atendimentos entre janeiro e julho deste ano, contra 542.737 nos sete prmeiros meses de 2025. O avanço foi puxado principalmente pelos pedidos de informação, que passaram de 361.475 para 872.257, crescimento de 141,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para o Ministério das Mulheres, o aumento não significa que a violência contra as mulheres está cresendo na mesma proporção.

“Pode indicar duas coisas de imediato: que o serviço está sendo reconhecido e que as mulheres estão procurando porque confiam e têm conhecimento do serviço. Por outro lado, pode indicar que as mulheres também estão rompendo com o silenciamento”, afirma Estela Bezerra, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres.

O volume acumulado até julho também já corresponde a 95% dos 1.088.460 atendimentos registrados durante todo o ano passado. Uma mesma ligação pode gerar mais de um protocolo -por exemplo, quando há um pedido de informação e uma denúncia–, por isso o total não representa o número de pessoas que procuraram o canal.

Além dos 872.257 pedidos de informação, o serviço recebeu 98.705 denúncias de violência de gênero nos sete primeiros meses deste ano, ante 85.811 no mesmo período do ano anterior, alta de 15%. Foram registradas ainda 63.478 orientações e serviços da rede e 1.207 manifestações diversas.

Foram ainda 462.919 solicitações de orientação sobre como acessar a rede de proteção, equivalentes a 44,7% dos atendimentos. Outras 200.989 (19,4%) buscavam informações sobre o funcionamento do Ligue 180 e 132.042 (12,75%), sobre políticas e campanhas para as mulheres.

Bezerra afirma que essa demanda ajuda a revelar o que chama de “rota crítica” para quem busca proteção, com municípios onde faltam delegacias da mulher e outros serviços especializados. Segundo ela, parte das mulheres recorre ao 180 justamente por não saber onde encontrar atendimento no território em que vive.

“Um dos grandes desafios da política de enfrentamento da violência contra as mulheres é estender a rede especializada onde couber e estabelecer estratégias que articulem as políticas de saúde, assistência, educação e segurança pública nos territórios de até 100 mil habitantes”, diz.

Entre as denúncias feitas neste ano, a violência psicológica lidera, com 35.284 registros (35%). Em seguida aparecem violência doméstica enquadrada na Lei Maria da Penha, com 24.273 (24,5%); violência física, com 18.134 (18%); moral, com 14.635 (15%); e patrimonial, com 8.239 (8%).

Para a secretária, a posição da violência psicológica reflete também uma mudança na identificação de comportamentos que antes não eram reconhecidos como agressões.

São Paulo lidera a procura pelo Ligue 180 neste ano, com 106.552 atendimentos até julho. Rio de Janeiro aparece na sequência, com 64.670, seguido por Minas Gerais (42.439), Bahia (28.143) e Rio Grande do Sul (17.989).

Após uma denúncia, o encaminhamento também varia conforme o estado. O Ministério das Mulheres mantém acordos de cooperação técnica com 19 unidades da Federação que permitem integrar o Ligue 180 a órgãos locais, entre eles secretarias de Segurança Pública, estruturas de políticas para mulheres e Ministérios Públicos.

Nesses estados, segundo Bezerra, o ministério consegue acompanhar com maior rapidez o encaminhamento de casos. Se uma mulher relata, por exemplo, que já registrou boletins de ocorrência, mas não conseguiu uma medida protetiva, a demanda pode ser enviada aos órgãos locais, que posteriormente informam seu andamento. Onde não há acordo, a central não dispõe do mesmo fluxo de acompanhamento.





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