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terça-feira, 24 fevereiro, 2026
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Campos Neto, ex-presidente do BC, e Tarcísio de Freitas viram alvos da CPMI do INSS

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Por Cleber Lourenço

 

A CPMI do INSS deu um passo além da apuração das fraudes bilionárias em descontos associativos e empréstimos consignados e avançou sobre o campo político e institucional. Requerimentos protocolados em 23 de fevereiro de 2026 colocam no centro da investigação o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e quatro governadores: Tarcísio de Freitas (SP), Ibaneis Rocha (DF), Cláudio Castro (RJ) e Romeu Zema (MG).

No caso de Roberto Campos Neto, o requerimento apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) solicita que sejam prestadas, pelo presidente do Coaf, “informações consistentes na elaboração de RIFs – Relatórios de Inteligência Financeira” e que se proceda “à quebra de sigilo bancário e fiscal” do ex-chefe da autoridade monetária no período de 1º de janeiro de 2019 a 23 de fevereiro de 2026.

A justificativa sustenta que, durante sua gestão à frente do Banco Central, “teriam sido emitidos diversos alertas técnicos relacionados ao Banco Master, envolvendo riscos e inconsistências em sua atuação”. O requerimento aponta ainda que foram noticiadas “discussões internas acerca da sustentabilidade de determinadas operações da instituição e de sua exposição a recursos de fundos e regimes próprios de previdência”.

A CPMI quer apurar se houve “eventual falha de supervisão, omissão ou tratamento diferenciado diante de alertas e indícios” que poderiam ter relação com o esquema que resultou em prejuízos a aposentados e pensionistas.

A ofensiva também alcança governadores.

No caso de Tarcísio de Freitas, há dois requerimentos. Um pede sua convocação para prestar esclarecimentos sobre “eventual relação institucional ou pessoal com dirigentes ou financiadores vinculados ao Banco Master”. Outro vai além e solicita a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do governador, incluindo “registro e duração das ligações telefônicas originadas e recebidas”.

O requerimento menciona que Tarcísio recebeu doações de R$ 2 milhões para sua campanha de 2022, valor oriundo de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A CPMI afirma ser necessário verificar “a identificação de movimentações financeiras atípicas” e eventual recebimento de valores de pessoas e empresas investigadas.

Em relação ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o requerimento pede quebra de sigilo bancário e fiscal. O texto afirma que, no âmbito das investigações da Polícia Federal, o nome de Ibaneis “surge como um dos principais interessados na aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB)”.

O requerimento registra que o BRB teria injetado mais de R$ 16 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025 e que parte desses recursos teria sido utilizada para aquisição de carteiras de crédito que posteriormente se mostraram “desprovidas de lastro”.

Já em relação a Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, o foco está nos investimentos do Rioprevidência. O requerimento aponta que o fundo teria aplicado R$ 970 milhões em papéis do Banco Master. O texto menciona auditoria do Tribunal de Contas do Estado que identificou irregularidades no plano de investimentos e ressalta que créditos vinculados a fundos de investimento não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos.

No caso de Romeu Zema, o requerimento relaciona a investigação à atuação da Zema Crédito, Financiamento e Investimento S/A, integrante do Grupo Zema, no mercado de consignado. O pedido busca examinar a evolução patrimonial do governador no período investigado e verificar eventual correspondência entre rendimentos declarados e os fatos apurados pela comissão.

Com os requerimentos, a CPMI amplia o escopo da apuração para além das fraudes operacionais no INSS e passa a investigar possíveis conexões entre o Banco Master, estruturas de crédito consignado e agentes políticos de alto escalão. A decisão sobre a aprovação ou não das quebras de sigilo e convocações deverá definir o grau de tensão institucional que a comissão produzirá nas próximas semanas.





ICL Notícias

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