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terça-feira, 21 abril, 2026
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Caiado pode ‘desaposentar’ Tasso e oferecer vice ao PSDB sem mexer com Ciro

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No último domingo, Ronaldo Caiado afirmou no interior de São Paulo que o vice ideal para compor a chapa presidencial com ele é o presidente de seu partido, Gilberto Kassab. Foi um movimento lógico, prudencial e pensado para que o presidente da sigla guardasse a vaga que está em processo de captação de pretendentes ideais: a senadora Tereza Cristina, do PP do Mato Grosso do Sul, e o ex-senador e ex-governador do Ceará Tasso Jereissati, do PSDB.

Uma aliança com o PP é sonho distante de ser realizado pela cúpula do PSD porque o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente do “Progressistas”, está com os dois pés fincados no projeto presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro e conhecida como “Dama de Ferro do Agrotóxico” tem mais quatro anos no Senado, está disponível para ser vice, porém, não acalenta a ideia de entrar numa chapa liderada por Flávio Bolsonaro. Ela gosta da ideia de formar dupla com o ex-governador de Goiás, contudo avisou internamente que não liderará nenhum racha partidário do PP.

Já uma coligação PSD-Federação PSDB/Cidadania passou a ser projeto pragmaticamente trabalhado por Gilberto Kassab e pelo presidente nacional do PSDB, o deputado mineiro Aécio Neves, desde a semana passada. Ciro Gomes, que voltou ao PSDB pelas mãos de Tasso Jereissati para ser candidato ao governo do Ceará (onde lidera a disputa pré-eleitoral) já conversou com Ronaldo Caiado e disse que tende a apoiar o projeto presidencial do ex-governador de Goiás. A tendência só não é confirmação, ainda, porque ao mesmo tempo que essas conversas se iniciaram foi lançado o balão de ensaio de uma nova candidatura presidencial de Ciro Gomes. Ela não existe.

O ex-ministro da Fazenda (de Itamar Franco) e do Desenvolvimento Regional (de Lula) ganhou gosto pela retomada da escalada eleitoral visando o cenário presidencial de 2030 a partir de uma nova eleição para o governo do Ceará em 2026. Ciro governou o estado entre 1991 e 1994, quando renunciou para assumir a Fazenda na condição de “curador do Plano Real” a fim de viabilizar a vitória de Fernando Henrique Cardoso contra Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1997, rompeu com os tucanos e iniciou um ciclo de virulência verbal e truculência política inversamente proporcional ao número de votos que recebia nas urnas quando foi derrotado como candidato a presidente em 1998, 2002, 2018 e 2022.

ESMIUÇANDO O ‘PROJETO TASSO’

Agora, os estrategistas de Ronaldo Caiado – todos egressos dos exércitos de campanha forjados por Aécio Neves, em Minas Gerais, começando pelo chefe do marketing político, Paulo Vasconcellos – trabalham com a hipótese de desaposentar outro ex-governador cearense, responsável por colocar Ciro de volta ao jogo eleitoral: trata-se do ex-senador Tasso Jereissati, presidente de honra do PSDB e último remanescente ainda com capacidade de retomar a plenitude da atividade política do grupo partidário ao qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recorria para aconselhamentos durante seus mandatos.

Tasso tem 77 anos. Caiado, 76. Os dois exerceram juntos parte de seus mandatos de senadores. O ex-governador do Ceará, em que pese ter exercido três mandatos no Executivo do estado, não fez sucessores políticos nem dentro da família, nem fora dela. Os dois personagens que disputaram na vida pública o título de afilhados preferenciais de Jereissati foram o ex-senador Sérgio Machado, um dos primeiros delatores de Operação Lava Jato, preso, julgado e condenado no período de auge do lavajatismo, e o próprio Ciro Gomes.

No processo de sedução durante o qual convenceu Ciro a retornar ao PSDB e tentar novo mandato de governador, Tasso disse ao ex-ministro da Fazenda que ele ainda será jovem o suficiente para tentar a Presidência da República em 2030 e que tudo passa pela reconquista do território cearense. De acordo com raciocínio dos estrategistas de campanha de Caiado, um aceite de Tasso Jereissati à vaga de vice-presidente na chapa encabeçada pelo PSD não significa uma ruptura com o caminho traçado entre os cearenses. Afinal, nem Ronaldo Caiado, nem o próprio Jereissati, chegarão a 2030 numa idade que usualmente poderiam postular nova primazia na disputa. Isso colocaria Ciro Gomes na primeira prateleira de opções caso vença agora no Ceará e assegure inserção da candidatura de Caiado no Nordeste.

Todo o projeto de desaposentadoria de Tasso Jereissati para tê-lo como candidato a vice-presidente na chapa do PSD transita ainda no campo das possibilidades. Dois pressupostos para que a costura siga passam justamente pelos estados de Goiás e de Minas Gerais. Em seu reduto, Ronaldo Caiado terá de aceitar reabrir diálogo com o ex-governador Marconi Perillo, cacique local do PSDB, com quem se desentendeu ainda em 2014. Em Minas, Aécio tenta se viabilizar vice-governador na chapa de Rodrigo Pacheco (PSB), que terá o apoio e a provável aliança do PT. O ambiente mineiro está mais pacificado para um amplo entendimento do que o goiano. No Ceará, caso coloquem o projeto de forma clara e transparente para Tasso, ele aceita.

 

 





ICL Notícias

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