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quarta-feira, 10 junho, 2026
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Butantan continua estudo da vacina da dengue em idosos

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Por Patrícia Pasquini

(Folhapress) – Mesmo após a suspensão temporária do uso da vacina contra a dengue Butantan-DV, o Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo, continua o estudo do imunizante para o público a partir de 60 anos.

O diretor do instituto, Esper Kallás, afirmou à Folha de S.Paulo que a decisão foi tomada após conversas com o Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“O acompanhamento da vacinação em pessoas que estão participando de estudos de pesquisa é extremamente rigoroso. Ficamos mais confiantes para avaliar a resposta à vacina e a segurança dela em situações controladas como essa”, explica Kallás.

“A segunda coisa é que a suspensão é cautelar e não significa que a vacina não tem a possibilidade de continuar sendo avaliada.”

Vacina da dengue do Instituto Butantan (Butantan-DV). Foto: José Felipe Batista

Para o estudo em idosos, o instituto começou a recrutar voluntários de 60 a 79 anos em janeiro de 2026.

Os testes clínicos serão realizados ao longo de um ano em quatro centros de pesquisa – três em Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, e um em Curitiba (PR) – com 997 participantes do sexo masculino ou feminino.

Do total, 767 pessoas de 60 anos a 79 anos foram sorteadas para receber a vacina (690) ou o placebo (77). Outros 230 adultos (de 40 a 59 anos) receberão o imunizante (sem sorteio para grupo placebo).

Os testes pretendem mostrar a segurança e comparar a resposta imunológica para entender se a produção de anticorpos dos idosos é semelhante à dos adultos.

Até o momento, 75% do total de voluntários está vacinado, a maioria há mais de 21 dias.

A notícia da suspensão temporária causou preocupação aos voluntários. Por isso, o Butantan afirma que está trabalhando na orientação aos participantes e aos pesquisadores no sul do Brasil que atuam junto ao instituto.

A Butantan-DV foi aprovada pela agência em novembro de 2025 para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos.

A interrupção por tempo indeterminado do uso da vacina, anunciada na segunda (8), se deve à identificação de 42 episódios de reações adversas severas. Desses, há três casos graves, com duas mortes.

Conforme o ministério, foram aplicadas 501.044 doses, no total. Dessas, 83.612 serviram para estratégias de vacinação da população de 15 a 59 anos em Maranguape (CE), Nova Lima (MG), Botucatu (SP) e na região de Araguaína (TO). Nenhum dos locais identificou eventos adversos graves relevantes associados ao imunizante.

A campanha com o imunizante do Butantan começou em fevereiro de 2026 e vacinou 417.432 profissionais de saúde de todo o país. Por último, foi a vez dos adultos de 59 anos.

Na opinião de Esper Kallás, a investigação das reações adversas e o estudo com a população a partir de 60 anos podem agregar informações reciprocamente.

“Você constrói peças de um quebra-cabeça, achando quais evidências que te apontam se, primeiro, esses sinais de alerta que apareceram nos 42 casos são consistentes com os outros estudos que fazemos”, diz.

“E em segundo lugar, aprofundar em cada um desses casos para entender se tem algo que possa explicar o que houve ou se é de fato somente a vacina. Isolar o efeito da vacina é o desafio maior que se tem quando se trabalha com bases de dados tão amplas”, afirma Kallás.

Os extremos das idades são os que mais sofrem com a dengue e outras doenças por terem maior chance de desenvolver a forma grave e morrer.

A Butantan-DV é feita com o vírus atenuado (vivo, mas fraco). A tecnologia é a que oferece melhor desempenho de proteção, segundo Kallás.

“A dificuldade da vacina da dengue é que ela é muito mais complexa por se tratar de quatro vacinas numa só. Temos dengue 1, 2, 3 e 4. Combinar tudo isso foi um trabalho árduo que demorou muitos anos”, diz o diretor do Butantan.





ICL Notícias

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