24.5 C
Manaus
quarta-feira, 22 abril, 2026
InícioBrasilBRB faz assembleia nesta 4ª para decidir aumento de capital de até...

BRB faz assembleia nesta 4ª para decidir aumento de capital de até R$ 8,8 bi

Date:


Dois dias após anunciar um acordo para venda de ativos à Quadra Capital, o Banco de Brasília (BRB) realiza nesta quarta-feira (22) assembleia de acionistas com um objetivo central: aprovar um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões (clique aqui para ler o comunicado aos acionistas). A medida é considerada essencial para garantir a sustentabilidade da instituição no longo prazo, mas ocorre em um contexto de incertezas sobre a origem dos recursos.

Controlador do banco, o governo do Distrito Federal enfrenta limitações fiscais e ainda não definiu como financiará sua participação no aporte. A assembleia também deve avançar em medidas emergenciais para recompor a liquidez da instituição — hoje apontada como o problema mais crítico.

Entre as opções em análise está a criação de um fundo lastreado na dívida ativa do DF. A estrutura permitiria transformar créditos tributários em cotas negociáveis no mercado, viabilizando a captação de recursos. Interlocutores descrevem a operação como uma forma de securitização, que poderia ainda incluir a emissão de debêntures com base nesses ativos.

A estratégia teria dupla função: levantar recursos para o aporte no BRB e reforçar as garantias exigidas em negociações paralelas com o sistema financeiro.

Entraves com o FGC

O plano de estabilização do banco também depende de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), em conjunto com um pool de instituições financeiras. No entanto, as tratativas ainda não avançaram de forma decisiva.

Entre os entraves estão a definição de um coordenador para o sindicato de bancos e, principalmente, a estrutura de garantias. Imóveis apresentados pelo governo local foram considerados insuficientes, o que reforça a importância de alternativas como a securitização da dívida ativa.

Há expectativa de participação de até seis bancos no arranjo, com possibilidade de inclusão de uma instituição pública — cenário em que as conversas com a Caixa Econômica Federal ganharam intensidade.

Acordo com Quadra alivia, mas não resolve

O acordo firmado com a Quadra Capital prevê a venda de R$ 15 bilhões em ativos oriundos do Banco Master e hoje na carteira do BRB. A operação inclui pagamento inicial de cerca de R$ 4 bilhões e a posterior transferência do restante por meio de cotas de um fundo a ser estruturado.

Embora a transação possa reduzir a necessidade de provisionamento e, consequentemente, o prejuízo do banco, seu efeito é limitado diante do tamanho do desequilíbrio. A capitalização bilionária segue sendo necessária para recompor o patrimônio e sustentar as operações.

Pressão de prazo e riscos políticos

O governo do DF trabalha com o prazo de 29 de maio para equacionar a crise de capital do BRB. A proximidade do fim do mandato da governadora Celina Leão adiciona complexidade às negociações, ao elevar a percepção de risco entre potenciais financiadores.

Além disso, há restrições quanto à capacidade de endividamento do ente federativo sem aval da União, o que dificulta a obtenção de crédito em larga escala.

Cenários extremos permanecem no radar

Caso as alternativas em discussão não se concretizem, o BRB pode enfrentar saídas mais drásticas, como privatização ou federalização — ambas vistas com resistência política no momento.

A crise atual tem origem na aquisição de ativos do Banco Master, operação que comprometeu a liquidez e o patrimônio da instituição.





ICL Notícias

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile