A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,318 bilhões (R$ 51,2 bilhões) em outubro de 2026, o maior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1989. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado foi impulsionado pelo crescimento das exportações, que somaram US$ 37,807 bilhões (R$ 207,9 bilhões), alta de 20% em relação a outubro de 2025. As importações também avançaram, chegando a US$ 28,490 bilhões (R$ 156,7 bilhões), aumento de 14,8%. Ambos os valores foram recordes para o mês.
O saldo comercial superou as expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela Reuters projetavam um superávit de US$ 9,05 bilhões, abaixo do resultado efetivamente registrado.
O crescimento das vendas externas foi resultado da combinação entre o aumento de 10,8% nos preços médios dos produtos exportados e a expansão de 7,3% no volume comercializado.
Exportações de petróleo crescem 122,6%
A indústria extrativa foi o principal destaque de outubro, com crescimento de 53,5% nas exportações em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O desempenho foi impulsionado pelas vendas de óleos brutos de petróleo, que aumentaram 122,6% e acrescentaram quase US$ 5 bilhões ao valor exportado pelo Brasil.
A agropecuária também apresentou crescimento, com alta de 12,8% nas exportações, favorecida principalmente pelos embarques de soja e café não torrado.
Já a indústria de transformação registrou expansão de 7,7% nas vendas externas. Entre os produtos que contribuíram para o resultado estão combustíveis, farelo de soja, celulose e carnes de aves.
Vendas para os Estados Unidos avançam 87%
As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 87% em outubro, na comparação com o mesmo mês de 2025.
Com o avanço, a participação americana no total das vendas externas do Brasil passou de 7,3% para 11,4%, segundo os dados do MDIC.
A União Europeia também ampliou sua participação, de 14,5% para 16%. Em contrapartida, a fatia da China nas exportações brasileiras recuou de 28,8% para 22,7%.
Os números mostram uma mudança na distribuição dos destinos das exportações durante o mês, embora a China continue entre os principais parceiros comerciais do país.
Superávit acumulado chega a US$ 71 bilhões
Do lado das importações, o maior crescimento ocorreu nas compras de combustíveis, que avançaram 86,8% em relação a outubro do ano passado.
Também houve aumento de 25,9% nas importações de bens de consumo, de 4% em bens de capital e de 2,7% em bens intermediários.
No acumulado de janeiro a outubro de 2026, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 71,040 bilhões (R$ 390,7 bilhões).
O resultado representa um avanço em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo havia sido de US$ 52,985 bilhões (R$ 291,4 bilhões).
A diferença entre os dois períodos é de aproximadamente US$ 18 bilhões, equivalente a um crescimento de 34,1% no superávit acumulado.



