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terça-feira, 24 fevereiro, 2026
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Brasil precisa de estratégia para minerais críticos

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender na terça-feira (12) a abertura de um debate estratégico e urgente sobre o uso das reservas brasileiras de minerais críticos — como terras raras, nióbio, lítio e grafite —, que são insumos fundamentais para cadeias produtivas de baterias, semicondutores e tecnologias de transição energética. Segundo ele, a definição de uma política nacional para esses recursos não pode mais ser adiada.

A declaração de Haddad ocorre em um momento em que potências como Estados Unidos, União Europeia e China tratam o tema como prioritário, em resposta à crescente competição tecnológica e à necessidade de reduzir dependências externas em setores-chave da economia verde.

A disputa por minerais estratégicos também se intensifica em meio a tensões comerciais globais e ao redesenho de cadeias produtivas mais sustentáveis.

No caso brasileiro, especialistas alertam para os riscos de o país seguir restrito ao papel de exportador de commodities minerais, sem desenvolver uma indústria capaz de agregar valor e gerar empregos qualificados.

“Simplesmente exportar minérios é reproduzir a lógica de empregos de qualidade duvidosa. O Brasil precisa pensar em como agregar valor a esses recursos”, afirmou Haddad.

Haddad diz que tratativas começaram no governo Biden

O ministro da Fazenda mencionou conversas iniciadas durante o governo de Joe Biden, antecessor de Donald Trump na Casa Branca, sobre a possibilidade de criação de joint ventures para a produção de baterias em solo brasileiro, e afirmou esperar avanços em parcerias semelhantes com a Europa e a China.

Para Haddad, a deliberação sobre o tema deve envolver os poderes da República e levar em conta não apenas a política industrial, mas também a segurança nacional, a transição energética e a inserção internacional do país.

Com reservas consideráveis de minerais críticos, o Brasil tem potencial para se tornar um player estratégico no fornecimento de produtos com alto valor tecnológico.

Lula defende soberania

No mês passado, o presidente Lula (PT) chegou a abordar o tema em um evento, mas defendendo a soberania do Brasil sobre seus minerais críticos. O petista afirmou, na ocasião, que as riquezas do país serão usufruídas pelo povo brasileiro.

Lula ainda criticou o crescente interesse dos Estados Unidos nesses minerais e disse que as empresas privadas poderão pesquisar o território nacional mas “sob o nosso controle”.

“Eu fiquei sabendo que os Estados Unidos vão ajudar a Ucrânia [na guerra contra a Rússia], mas estão querendo ter privilégio nos minerais críticos da Ucrânia. Esses dias eu li que os Estados Unidos têm interesse nos minerais críticos do Brasil. Ora, se eu nem conheço esse minério, e ele já é crítico, eu vou pegar ele para mim. Por que que eu vou deixar para outro pegar?”, argumentou Lula, em evento em São João da Barra, estado do Rio.





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