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quinta-feira, 10 setembro, 2026
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Brasil monitora Rubio e não descarta intervenção dos EUA na eleição

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O governo brasileiro monitora a viagem de Marco Rubio, o chefe da diplomacia dos EUA, aos países da América do Sul e não descarta que Washington ainda promova algum tipo de intervenção na eleição brasileira, nas próximas semanas.

O representante de Donald Trump está em uma missão pela Colômbia, Peru e Equador, usando a viagem para consolidar a relação entre a Casa Branca e seus aliados sul-americanos. Rubio fechou um acordo de minerais críticos com Bogotá, negocia acordos de cooperação militar com os governos locais e usou seus discursos para criticar as esquerdas da região. Além disso, o Peru anunciou sua adesão ao Escudo das Américas, a aliança militar criada por Donald Trump e envolvendo mais de 15 países do hemisfério.

Enquanto Rubio percorre a região, as embaixadas do Brasil na América do Sul foram instruídas a acompanhar de perto os encontros e reportar de volta para Brasília.

Observadores tentam entender até que ponto a viagem está servindo para coordenar posições em relação ao Brasil e às eleições.

Rubio, de fato, usou a viagem para criticar abertamente os partidos de esquerda da região. “O que os movimentos de esquerda fizeram neste hemisfério? Simplesmente miséria”, afirmou.

Rubio mencionou diretamente quatro países que sofreram com os conflitos de esquerda. “Miséria na Venezuela, miséria em Cuba, miséria na Nicarágua, neste país (Equador)”, concluiu.

Ele ainda acusou gangues criminosas de terem tido a “cooperação” de movimentos de esquerda, um argumento da extrema direita. “O que aconteceu com (Gustavo) Petro na Colômbia? Um país que por quatro anos não pôde fazer a luta, como tinha que fazer, contra esses grupos criminosos; tem laços com esses grupos”, acusou.

Rubio disse que não permitiria que este problema “ameaçasse” a segurança nacional do governo de Donald Trump. “Existem grupos transnacionais mais capazes que o governo, com armamentos governamentais, com drones, com toda uma série de tecnologias militares que trazem para o Estado e (que) eventualmente trarão para os Estados Unidos”, disse.

Além disso, Rubio anunciou a designação do grupo equatoriano “Los Tiguerones” como Organização Terrorista Extraordinária.

Em um momento da intensificação da disputa eleitoral e da crise no STF, o governo Lula estima que não está descartada uma intervenção nas próximas semanas por conta dos EUA.

Mas Brasília acredita que a Casa Branca vive um momento de dúvidas. Em 2025, quando Trump agiu contra ministros do STF, a popularidade de Lula subiu e as medidas foram consideradas como um tiro no pé do bolsonarismo.

O governo e o próprio PT, porém, não descartam que novas ações possam voltar a ocorrer, principalmente usando a crise institucional no STF. A decisão em Brasília é a de “não baixar a guarda”. Um dos cenários avaliados seria uma ação dos EUA depois do primeiro turno.

Enquanto isso, Lula vem usando ataques contra Trump para pautar seus discursos e trazer o debate eleitoral para o centro da campanha. Mas observadores admitem que crise na Justiça abafou a narrativa sobre a soberania.





ICL Notícias

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