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quarta-feira, 25 fevereiro, 2026
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Brasil manterá negociações com os EUA

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (21) que o Brasil não deixará a mesa de negociação com os Estados Unidos diante da ameaça de um tarifaço anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Em entrevista à rádio CBN, Haddad disse que a equipe econômica já trabalha em um plano de contingência para proteger os setores que poderão ser atingidos por uma sobretaxa de até 50% sobre importações brasileiras a partir de agosto.

“Vamos continuar lutando para ter a melhor relação possível com o maior mercado consumidor do mundo. Mas não vamos deixar ao desalento os trabalhadores brasileiros”, afirmou Haddad.

Segundo ele, um grupo técnico estuda medidas de apoio aos segmentos mais afetados, embora as propostas ainda não tenham sido apresentadas ao presidente Lula (PT).

O ministro destacou que o plano de contingência não necessariamente implica aumento de gastos públicos e citou como exemplo a resposta econômica ao desastre no Rio Grande do Sul, que envolveu linhas de crédito além de aportes diretos.

Haddad menciona redirecionamento das exportações

Haddad comentou que mais da metade das exportações brasileiras para os EUA poderiam ser redirecionadas a outros mercados, mas isso exigiria tempo, devido a contratos comerciais em vigor com empresas norte-americanas.

“Tem coisas que não têm outro destino possível, pois foram demandas específicas dos Estados Unidos. Estamos conscientes de cada setor e atuando a nível de empresa para minimizar os efeitos dessa situação”, explicou.

Impacto para os EUA

O ministro alertou que o tarifaço também pode trazer consequências negativas para os próprios norte-americanos. Produtos como café, suco de laranja e carnes brasileiras podem ficar mais caros no mercado dos EUA, afetando o consumidor local.

Além disso, Haddad citou a dependência da indústria aeronáutica americana da cadeia produtiva brasileira, lembrando que a Embraer compra 45% dos componentes de seus aviões nos Estados Unidos.

Sem retaliação, mas com reciprocidade

Haddad reiterou que o Brasil não pretende retaliar empresas ou cidadãos norte-americanos, apesar da medida ser vista como injusta pelo governo brasileiro.

“Não podemos pagar na mesma moeda uma coisa que consideramos injusta”, disse o ministro. Ele, no entanto, admitiu a possibilidade de o Brasil usar a Lei da Reciprocidade, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, como resposta, caso as negociações não avancem.

“Todo país vai se defender de alguma forma. Mas a orientação do presidente Lula é clara: o Brasil seguirá negociando, porque somos um país que busca boas relações com o mundo todo.”





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