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sábado, 7 março, 2026
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Brasil envia remédios para Cuba e organiza operação de ajuda humanitária

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O governo brasileiro prepara uma operação de ajuda humanitária para Cuba, alvo de um estrangulamento de sua economia por parte de Donald Trump. De acordo com fontes em Brasília, o país acaba de enviar remédios nesta semana para a ilha. Alimentos e outros itens devem ser embarcados nas próximas semanas, enquanto se planeja ainda o envio de sementes para produtores rurais.

Uma primeira parte dos remédios destinados aos cubanos já desembarcou em Havana nesta semana. Outros carregamentos no setor de saúde também estão sendo planejados.

No abastecimento de alimentos, o envio do Brasil inclui arroz, leite em pó e feijão. Mas outra estratégia é a de tornar a ilha mais autônoma e reduzir sua dependência da importação de alimentos. Por isso, sementes serão enviadas para contribuir com as capacidades de produção agrícola por parte de Cuba.

A ideia do governo Lula é a de estabelecer uma operação de ajuda humanitária e, nos próximos dias, serão definidas as estruturas de logística para que o envio possa ocorrer. Com pouco combustível, o transporte aéreo tem sido duramente afetado em Cuba.

A operação brasileira ocorre num momento em que diplomatas acreditam que existiria uma “janela de oportunidade” para ajudar Havana.

Na última quinta-feira, Trump sugeriu que seu governo fará uma ofensiva contra Cuba. Mas apenas após o término das operações militares americanas no Irã.

“Acreditamos que queremos resolver — terminar esta primeiro —, mas será apenas uma questão de tempo até que você e muitas pessoas incríveis voltem para Cuba, espero que não para ficar”, afirmou Trump.

Nos últimos meses, o americano ampliou de forma intensa as sanções contra Cuba, assim como contra todos os países que vendam petróleo para Havana. A avaliação do governo Lula é de que existe um risco real de uma crise humanitária e mesmo um êxodo de cubanos.

Há poucos dias, a ONU soou o alerta diante da situação humanitária em Cuba e fez um apelo para que o governo Trump retire as sanções e bloqueios contra a ilha.

“Estamos extremamente preocupados com o aprofundamento da crise socioeconômica em Cuba, em meio a décadas de embargo financeiro e comercial, eventos climáticos extremos e as recentes medidas dos EUA que restringem as exportações de petróleo. Isso está tendo um impacto cada vez mais severo sobre os direitos humanos da população cubana”, afirmou a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, Marta Hurtado.

Derrubar o governo cubano passou a ser um dos objetivos da Casa Branca na América Latina. Para isso, Trump intensificou o bloqueio e impediu que petróleo venezuelano chegue até a ilha. A esperança dos EUA é a de estrangular a economia cubana e, assim, permitir um levante popular. O governo brasileiro, que teme uma crise humanitária e de imigração, avalia o envio de ajuda para Havana.

Para a ONU, a situação é crítica. “Dada a dependência dos sistemas de saúde, alimentação e água em combustíveis fósseis importados, a atual escassez de petróleo colocou em risco a disponibilidade de serviços essenciais em todo o país”, alertou a porta-voz.

Segundo a entidade, unidades de terapia intensiva e salas de emergência estão comprometidas, assim como a produção, distribuição e armazenamento de vacinas, hemoderivados e outros medicamentos sensíveis à temperatura.

A ONU avalia que, em Cuba, mais de 80% dos equipamentos de bombeamento de água dependem de eletricidade, e os cortes de energia estão prejudicando o acesso à água potável, saneamento básico e higiene.

“A escassez de combustível interrompeu o sistema de racionamento e a cesta básica de alimentos regulamentada, e afetou as redes de proteção social — alimentação escolar, maternidades e asilos — com os grupos mais vulneráveis sendo desproporcionalmente impactados”, disse.

 





ICL Notícias

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