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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta quinta-feira (7) com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O diálogo, que durou cerca de uma hora, abordou temas de grande relevância internacional, com destaque para as recentes tarifas unilaterais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e indianos.
As sanções entraram em vigor no dia anterior, quarta-feira (6). No caso do Brasil, os produtos foram taxados em 50%. Já a Índia sofreu um acréscimo de 25% sobre alguns itens, como forma de retaliação pelo comércio contínuo de petróleo com a Rússia — uma atitude que, segundo o presidente norte-americano Donald Trump, contribui para a manutenção da guerra na Ucrânia.
A ofensiva dos EUA serve também como sinal de alerta para o Brasil, que mantém relações comerciais com Moscou e pode enfrentar novas medidas semelhantes.
Segundo nota oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula e Modi reafirmaram o compromisso com o multilateralismo e defenderam a necessidade de reagir de forma conjunta aos desafios do atual cenário econômico global. Ambos os líderes destacaram a importância de ampliar a cooperação bilateral, especialmente em áreas estratégicas como comércio, defesa, energia, saúde e transformação digital.
Cooperação em alta entre Brasil e Índia
A ligação, segundo fontes do governo brasileiro, já vinha sendo articulada antes mesmo do anúncio das novas tarifas. A previsão é de que o presidente Lula visite a Índia em 2026, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin deverá liderar uma missão ao país já em outubro deste ano, acompanhado de ministros e empresários. A comitiva deve tratar de temas como:
- Comércio exterior
- Indústria de defesa
- Energia e minerais estratégicos
- Saúde pública
- Inclusão digital
Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), está à frente das articulações para enfrentar as barreiras tarifárias norte-americanas e abrir novos mercados para os produtos brasileiros, especialmente junto a parceiros estratégicos como a Índia.
Integração digital: Pix e UPI em pauta
Outro ponto discutido entre Lula e Modi foi a integração entre os sistemas de pagamentos digitais. O Brasil compartilhou informações sobre o Pix, enquanto a Índia apresentou sua plataforma UPI (Unified Payments Interface).
Essa troca ocorre em meio a críticas dos EUA, que alegam que o Pix representa uma ameaça à competitividade de empresas americanas no setor de tecnologia financeira. A plataforma brasileira, gratuita e amplamente utilizada pela população, tem sido vista como uma referência mundial em inovação digital — e também como um incômodo para interesses comerciais dos EUA.
Alinhamento via Brics
Brasil e Índia integram o grupo Brics, que reúne algumas das principais economias emergentes do mundo. O bloco, que tem se articulado para fortalecer laços comerciais e reduzir a dependência do dólar em suas transações, é alvo de críticas por parte de Trump. A intenção brasileira é levar a discussão sobre as tarifas americanas para o âmbito do grupo, buscando uma resposta articulada com os demais membros.
O próprio primeiro-ministro indiano esteve no Brasil recentemente, quando se encontrou com Lula no Palácio da Alvorada. Na ocasião, os dois líderes reforçaram o compromisso de ampliar o comércio bilateral e estabelecer uma meta ambiciosa: alcançar a marca de US$ 20 bilhões em trocas comerciais por ano.



