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Por Cleber Lourenço
O documento foi protocolado em 21 de agosto e assinado por Lindbergh Farias, líder da bancada do PT na Câmara, e pelo advogado Reinaldo Santos de Almeida. A peça foi dirigida ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e pede que sejam instauradas investigações criminais contra Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e os filhos Eduardo e Carlos por suspeita de lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude processual.
A representação reúne informações levantadas pela Polícia Federal em inquéritos já em andamento e cruzadas com dados do Coaf. Segundo esses relatórios, entre março de 2023 e fevereiro de 2024 Jair Bolsonaro movimentou cerca de R$ 30 milhões em sua conta.
O fluxo chama atenção por se tratar de valores muito acima de sua remuneração como ex-presidente, além de apresentar características que especialistas associam a mecanismos de dissimulação de origem de recursos. Apenas em pagamentos a escritórios de advocacia foram R$ 6,6 milhões, enquanto outros R$ 18,3 milhões foram aplicados em CDBs e RDBs.

Os investigadores observaram que as entradas e saídas de valores eram praticamente equivalentes, o que reforça a hipótese de movimentações circulares para mascarar a origem do dinheiro. O padrão identificado, de acordo com a representação, é compatível com operações típicas de lavagem de capitais descritas na Lei nº 9.613/1998.
Além desse período, o documento aponta que entre dezembro de 2024 e junho de 2025 ocorreram novas movimentações que somaram R$ 22 milhões adicionais. Parte desses recursos foi transferida diretamente para membros da família, em valores expressivos: R$ 2 milhões para Michelle, R$ 2,1 milhões para Eduardo e R$ 4,8 milhões para Carlos Bolsonaro. Para o autor da representação, a escolha de familiares próximos como beneficiários caracteriza estratégia de blindagem patrimonial, cujo objetivo seria driblar possíveis bloqueios judiciais.
Família Bolsonaro
O relatório também dedica atenção às movimentações de Michelle Bolsonaro. Ela teria recebido R$ 2,9 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024, parte por meio de sua empresa MPB Business, e no mesmo período registrou gastos de R$ 3,3 milhões.
Essa dinâmica reforça a suspeita de uso de empresas e pessoas físicas como “interpostas” para camuflar a verdadeira natureza dos recursos. A prática, descrita como o uso de “laranjas” ou “testas de ferro”, é uma das formas mais comuns de dissimulação de patrimônio.
O documento sustenta ainda que a participação de mais de um membro da família em operações coordenadas sugere a existência de uma estrutura organizada, que pode se enquadrar no conceito de organização criminosa, previsto na Lei nº 12.850/2013.
Além da divisão de tarefas financeiras, os autores apontam sinais de fraude processual, já que Jair Bolsonaro teria ocultado bens e omitido operações para tentar confundir o Judiciário durante investigações ligadas à origem da chamada “campanha via Pix”. Essa campanha, segundo a representação, também esteve associada ao financiamento de ações contra instituições democráticas brasileiras.
Diante desses elementos, o pedido encaminhado ao STF solicita que sejam adotadas medidas imediatas, como:
- quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados, a fim de rastrear a origem e o destino dos valores;
- bloqueio e sequestro de bens e ativos que possam ter sido utilizados no esquema;
realização de perícia contábil e financeira para detalhar a trajetória dos recursos e comprovar eventual dissimulação; - e, caso os indícios sejam confirmados, o oferecimento de denúncia formal contra Jair Bolsonaro, Michelle, Eduardo e Carlos Bolsonaro.
A representação ressalta que medidas patrimoniais urgentes são necessárias para evitar a dissipação de recursos e assegurar a efetividade do processo penal. O texto sublinha ainda que a robustez dos indícios coletados pela Polícia Federal e pelo Coaf dá sustentação jurídica suficiente para a abertura de inquérito e a adoção de medidas cautelares severas contra os investigados.
Ao final, o pedido formaliza a acusação de que Jair Bolsonaro aparece como autor principal do esquema de ocultação patrimonial, enquanto Michelle, Eduardo e Carlos atuariam como coautores, ao aceitarem receber valores e movimentá-los em benefício do ex-presidente, compondo um arranjo familiar para dissimular recursos de origem suspeita.



