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quinta-feira, 25 junho, 2026
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Bloqueio ômega ajuda explicar temperaturas de 50°C na Europa

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A intensa onda de calor que assola a Europa nos últimos dias tem uma explicação atmosférica específica: o chamado bloqueio ômega, fenômeno que impede a circulação normal dos sistemas meteorológicos e mantém uma massa de ar quente estacionada sobre a região. O resultado é uma sequência de dias com temperaturas excepcionalmente elevadas, especialmente na França e na Espanha.

O nome faz referência ao formato da letra grega Ω (ômega) observado nos mapas meteorológicos. Nesse padrão, uma área de alta pressão fica “presa” entre duas áreas de baixa pressão. Em condições normais, a corrente de jato — fluxo de ventos em grande altitude — desloca os sistemas climáticos de oeste para leste. Durante um bloqueio ômega, porém, esse fluxo se deforma e perde velocidade, fazendo com que o ar quente permaneça sobre a mesma região por dias ou até semanas.

Sob a área de alta pressão, o ar desce e dificulta a formação de nuvens, favorecendo céu limpo e forte incidência solar. Com isso, o calor se acumula próximo à superfície e as temperaturas sobem continuamente.

A dimensão desse aquecimento foi registrada por uma imagem divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). Captados pelo satélite Copernicus Sentinel-3 na última terça-feira (23), os dados mostram temperaturas da superfície terrestre superiores a 50°C em amplas áreas do centro e sul da França e do norte da Espanha. Nas imagens, as áreas mais quentes aparecem destacadas em vermelho e roxo.

Onda de calor extremo na Europa. Foto: Dados do Copernicus Sentinel (2026), processados pela ESA
Onda de calor extremo na Europa. Foto: Dados do Copernicus Sentinel (2026), processados pela ESA

A ESA ressalta que a medição não corresponde à temperatura do ar informada nas previsões meteorológicas. O satélite registra a chamada temperatura da superfície terrestre (LST, na sigla em inglês), que mede o calor absorvido pelo solo. Em dias de forte insolação, a superfície pode ficar muito mais quente do que o ar, o que explica os valores extremos observados.

Segundo a agência, esse tipo de monitoramento é fundamental para acompanhar eventos climáticos extremos e avaliar seus impactos sobre a saúde pública, a agricultura, a infraestrutura e os ecossistemas. A imagem foi capturada às 9h54 UTC (6h54 no horário de Brasília), quando o processo de aquecimento do solo ainda estava em curso.

Enquanto isso, os termômetros também registram marcas históricas. Na França, a maior temperatura do ar foi de 44,3°C em Pissos, no sudoeste do país, na última terça-feira (23). Já a agência meteorológica espanhola (AEMET) emitiu alerta vermelho para províncias do norte da Península Ibérica, enquanto a cidade de Andújar, no sul da Espanha, registrou 42,7°C dias antes.

Apesar do bloqueio ômega ser um fenômeno natural da atmosfera, o aquecimento global torna seus efeitos mais severos. Com uma temperatura média global mais elevada, episódios de calor persistente tendem a atingir patamares cada vez mais extremos quando padrões atmosféricos como esse se instalam sobre uma região.





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