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sábado, 14 fevereiro, 2026
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Beto Louco, canetinha Mounjaro e Alcolumbre na mesma manchete?

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Ah, eu sabia que um dia meu diploma de detetive particular — por correspondência — do Instituto Universal Brasileiro teria uma bela utilidade. Finalmente descobri quem é essa figura onipresente a quem chamamos de Roteirista do Brasil.

Narrador onisciente, ele paira sobre todas as coisas, tudo vê e tudo conta, da nascente do rio Ailã (RR) ao arroio Chuí (RS). Às vezes é confundido com “O Sensacionalista”, operam na mesma frequência de verossimilhança. O Roteirista, porém, é mais hiperbólico, nasceu na baiana Bole-Bole e tem os poderes da Saramandaia do gênio comuna Dias Gomes.

A picaresca figura não revela o seu batismo. Aceitou essa prosa por WhatSapp. Atentai para a entrevista.

— Qual a grande manchete do dia?

Roteirista — Beto Louco forneceu Mounjaro para Davi Alcolumbre!!! Com três exclamações, com o berro dos títulos do chapa Nelson Rodrigues. Essa eu passei para o Fábio Serapião, do UOL, mas sou democrático, vale a isonomia ampla, geral e irrestrita, passo notícia para todo mundo, é só ficar atento.

— Mounjaro é aquela canetinha que vende na farmácia?

Roteirista — Sim, emagrecedora, concorrente da Ozempic. E Beto Louco é aquele personagem ligado ao PCC, lembra? Vocês do ICL apresentaram uma entrevista exclusiva [do piloto Mauro Caputti Mattosinho] tratando sobre ele. É só fazer uma busca que você descobre, ora.

— Beto Louco, Mounjaro e o presidente do Senado em uma manchete só, o sr. não acha que exagera?

Roteirista — A vida imita a arte. Óbvio que meus colegas do cinema, das novelas e das séries me inspiram.

— Tem alguma inspiração especial para o noticiário do Rio de Janeiro?

Roteirista — Ah, você sacou que a cena dos freezers cheios de carne do TH Joias foi baseada em “Breaking Bad”? [No vídeo, o deputado exibe uma fortuna carnívora ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar]. Já o bunker com 613 kg de cocaína, em Santa Catarina, peguei do “Scarface” mesmo, referência das antigas.

— O sr. caprichou também naquele racha dos filhos de Bolsonaro e a Michele no episódio da aliança do PL com o Ciro Gomes no Ceará, hein?

Roteirista — Aí foi moleza. Fiz uma versão cafona de “Succession” com uns barracos de “Avenida Brasil”.

— Essa semana a PF deu uma batida na 13ª Vara de Curitiba, onde funcionou a Lava Jato do juiz Moro, para pegar, inclusive, os vídeos da tal “Festa da Cueca”. Que passa, meu jovem?

Roteirista — A pornochanchada brasileira faz parte da minha educação sentimental. Sempre tenho à mão uma coletânea com os melhores momentos dessa fase de ouro do cinema nacional. Mas é óbvio, meu rapaz, que nesse caso também usei um pouco da sacanagem do personagem Nelsinho, de Dalton Trevisan, ele me lembra muito o ex-juiz da supracitada Vara. Pura Curitiba!

— O roteirista do Brasil exagera?

Roteirista — Quando me acusam de carregar nas tintas, sempre saco uma do Tim Maia, o síndico: neste país, profissional do sexo se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita. Passar bem. Até a próxima.



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