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O Banco Central (BC) detectou dificuldades no Master, de Daniel Vorcaro, em captar recursos e honrar compromissos e alertou sobre o risco de adoção de “medidas prudenciais preventivas”, um ano antes de determinar a liquidação do banco. A informação, que consta no parecer sigiloso da equipe de auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), foi publicada pelo jornalista Rafael Moraes Moura, na coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Após analisar as informações enviadas pelo BC, o TCU afastou as alegações do banco de Daniel Vorcaro de que a liquidação do Master foi um ato precipitado. Os alertas sobre a possibilidade de aplicar sanções por falta de liquidez do banco começaram em novembro de 2024 e se repetiram até setembro de 2025. Segundo o relatório, já fazia mais de cinco meses que o Master não realizava depósitos compulsórios ao BC, uma obrigação dos bancos.
Segundo a análise dos auditores do TCU, não houve “inação ou falta de acompanhamento por parte da autarquia, sendo demonstrado o monitoramento contínuo por parte do regulador, conforme relatado pela instituição”. É o oposto do que sugeriu o relator do caso Master no TCU, Jhonatan de Jesus, que chegou a ameaçar reverter a decisão do BC de liquidar o Master, mas nesta quinta-feira (8) recuou e suspendeu a inspeção no BC.
Jhonatan disse que a inspeção era uma providência “corriqueira”, mas apontou a “dimensão pública assumida pelo caso com contornos desproporcionais”.
No relatório, os auditores ressaltam que o TCU não tem competência para avaliar o mérito da decisão do Banco Central que determinou a liquidação do Master, “desde que este esteja revestido de legalidade, devidamente fundamentado e pautado no interesse público”. “A atribuição para decretar a intervenção ou a liquidação extrajudicial de instituições financeiras é prerrogativa exclusiva do Banco Central do Brasil”.
Alertas do BC para o Master
Um ano antes da liquidação, em novembro de 2024, dirigentes do Master foram comunicados pelo Banco Central que a situação do banco poderia levar à aplicação de medidas prudenciais preventivas, conforme previsto em uma resolução do Conselho Monetário Nacional de 2011.
O BC pode determinar a adoção de medidas como a recomposição de níveis de liquidez, redução do grau de risco das exposições e “observância de limites operacionais mais restritivos”, por exemplo, em um esforço para “assegurar a solidez, a estabilidade e o regular funcionamento” do Sistema Financeiro Nacional.

Na época, o BC já constatava dificuldade do Master em “captar recursos junto a investidores institucionais e mesmo após iniciar a cessão de carteiras em conformidade com o plano de contingência implementado, não logrou êxito em rolar a totalidade das obrigações vencidas captadas por meio de plataformas de investimento” e identificou episódios de recolhimento insuficiente dos depósitos compulsórios.
Em abril de 2025, o Banco Master foi notificado pelo Banco Central de que as ações implementadas até aquela época não tinham sido suficientes para mitigar o risco de liquidez. “Tal insuficiência foi evidenciada pela reiterada incapacidade do conglomerado em cumprir as exigibilidades de recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo, conforme estabelecido na legislação vigente”, diz a auditoria do TCU.
O Master, então, foi convocado pelo Banco Central para assinar um Termo de Comparecimento em que foi exigida a recomposição imediata de liquidez.
Em maio de 2025, o Master solicitou ao Banco Central a “dispensa temporária” da exigibilidade de recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista e a prazo, o que foi negado.
O BC também identificou “graves irregularidades nas carteiras de crédito cedidas pelo Banco Master ao BRB”, que envolviam a utilização de artifícios contábeis “com o propósito de ocultar a real situação financeira do cedente, caracterizada por um grande volume de operações suspeitas e desprovidas de comprovação financeira, realizadas em desrespeito às normas de boa gestão”. As irregularidades detectadas pelo BC foram comunicadas ao Ministério Público Federal.
Em 3 setembro de 2025, o Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB. No dia seguinte ao veto, foi firmado um novo Termo de Comparecimento com o Banco Master, no qual o BC exigiu a recomposição da liquidez da instituição em dois dias úteis. O prazo acabou estendido até 30 de setembro, em razão do ingresso de recursos provenientes com a venda da seguradora Kovr pelo Banco Master.
A liquidação do Master acabou sendo decretada pelo BC em 18 de novembro, em decisão unânime, após a operação autorizada pela Justiça Federal de Brasília que levou Vorcaro à prisão.
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