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quinta-feira, 12 fevereiro, 2026
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Banco Mundial reconhece aumento da pobreza na Nigéria, mas mantém políticas que a aprofundam — Brasil de Fato

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O Banco Mundial projeta que 139 milhões de nigerianos estarão vivendo na pobreza até o final deste ano, um aumento de quase 60% em relação aos 87 milhões registrados em 2023, quando o presidente Bola Tinubu começou a implementar as reformas recomendadas pela instituição no primeiro dia de seu mandato.

Durante a campanha eleitoral, Tinubu prometeu reduzir os preços da gasolina, mas em seu discurso de posse, em 29 de maio de 2023, declarou: “o subsídio ao combustível acabou”, o que levou a um aumento de quase 488% no preço da gasolina até outubro de 2024, no maior produtor de petróleo da África.

Isso também fez disparar o custo da eletricidade, já que mais de 58% dos lares nigerianos, excluídos da rede elétrica nacional, dependem de geradores a gasolina e diesel.

Com capacidade de armazenamento e logística de cadeia fria limitadas, a falta de acesso confiável à energia também provoca grandes perdas alimentares. “Estima-se que as perdas de produção cheguem a 76% no caso do tomate, 25% no milho e 34% no bagre”, apontou o Banco Mundial em seu relatório semestral sobre a Nigéria, publicado em 8 de outubro de 2025.

O consequente aumento nos preços de itens essenciais, inclusive alimentos, foi agravado pela perda do poder de compra dos nigerianos depois que Tinubu liberalizou o câmbio e unificou as taxas de conversão em meados de junho de 2023.

Na época, cerca de 465 nairas equivalia a um dólar. Em novembro de 2024, a moeda havia perdido grande parte de seu valor, um dólar passando a custar quase 1.465 nairas, quando o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) alertou: “Nunca houve tantas pessoas na Nigéria sem comida.”

Os chamados “protestos da fome” já haviam eclodido em agosto daquele ano, durando 10 dias antes de serem reprimidos pelas forças de segurança, que mataram pelo menos 24 pessoas e prenderam mais de mil, várias das quais foram torturadas sob custódia.

Durante eventos de caridade no Natal, milhares se aglomeraram em busca de cestas de alimentos. Pelo menos 67 pessoas, incluindo 35 crianças e 22 mulheres, morreram pisoteadas em três tumultos.

Os lares mais pobres, que destinam 70% de seus gastos à alimentação, foram os mais afetados, observou o Banco Mundial. Ainda assim, mesmo reconhecendo que a pobreza e a fome aumentaram drasticamente com a implementação das próprias reformas que recomendou, a instituição não reviu suas diretrizes econômicas.

Pelo contrário, reforçou sua defesa do neoliberalismo, abrindo o resumo executivo do relatório com a declaração: “A Nigéria fez progressos substanciais na estabilização macroeconômica. O governo implementou reformas importantes desde meados de 2023”, incluindo a “reunificação da taxa de câmbio” e a “remoção do subsídio ao combustível.”

Segundo o Banco, “o crescimento aumentou; a situação fiscal melhorou devido ao aumento da receita; o mercado cambial está estável; a posição externa é forte com reservas crescentes e superávit em conta corrente; e a inflação começou a cair gradualmente.”

Embora reconheça que, nesse período, a pobreza aumentou de 38,9% para 61%, o Banco evita fazer a conexão causal em seu relatório intitulado “Das Políticas ao Povo: Levando os ganhos da reforma para casa.

O comunicado à imprensa que acompanha a publicação leva o título: “Momento econômico positivo na Nigéria, agora é hora de colher os frutos.” Para isso, o Banco prescreve “disciplina monetária sustentada e reformas estruturais para conter os preços dos alimentos.”

Essa contenção, porém, não virá de maiores investimentos públicos em agricultura e processamento de alimentos, o que, segundo o Banco, contradiz sua “urgente” recomendação de “melhorar a eficiência dos gastos públicos”, eufemismo para cortes adicionais nos gastos sociais.

Em vez disso, o Banco Mundial propõe “conter a inflação dos alimentos eliminando barreiras comerciais, como proibições de importação e tarifas excessivas”, medida que pode inundar o mercado interno com produtos subsidiados dos EUA e de outros países do Norte Global, afundando ainda mais os pequenos produtores agrícolas nigerianos.

Como tentativa de medida paliativa, o relatório oferece o que descreve como “transferências de renda financiadas domesticamente para os extremamente pobres e um sistema de proteção social responsivo a choques.”

Conteúdo originalmente publicado em Peoples Dispatch

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Fonte: Brasil de Fato

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