Por Nathalia Garcia
(Folhapress) – O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa básica de juros para 14% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida. O novo recuo consolidou um dos ciclos mais suaves de queda promovidos pelo Banco Central desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999.
A decisão do colegiado do BC foi unânime e já era dada como certa pelo mercado financeiro às vésperas do encontro. As instituições consultadas pela agência Bloomberg eram unânimes na aposta de que o Copom cortaria os juros em mais 0,25 ponto percentual.
A Selic acumula queda de 1 ponto percentual desde o início do processo de flexibilização, em março. Depois de a taxa básica ter ficado estacionada em 15% ao ano por nove meses, foram quatro cortes de mesma intensidade (0,25 ponto). Com isso, os juros chegaram ao menor patamar desde março do ano passado, quando estavam em 13,25% ao ano.
A diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil caiu para 10,25 pontos percentuais. Na semana passada, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) decidiu manter as taxas na faixa entre 3,5% e 3,75%, com divergência de três diretores, que defendiam alta de 0,25 ponto percentual.
No cenário doméstico, os indicadores evoluíram desde o encontro anterior, em junho, de maneira favorável à atuação do BC, com recuo da inflação e moderação da atividade econômica.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou a 4,64% no acumulado de 12 meses até junho, puxado pela queda dos preços de alimentos. O mesmo comportamento foi observado na semana passada no índice que sinaliza tendência para a inflação oficial do país. Nos 12 meses até julho, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) recuou a 4,52%.
Apesar da trégua recente, os dados seguem acima do teto da meta perseguida pelo BC. O alvo central é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de avaliação contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o comitê tem na mira a inflação esperada para o primeiro trimestre de 2028.
Apesar do recuo da estimativa para o IPCA deste ano, a 5,03%, as projeções para prazos mais longos estacionaram depois de nova deterioração. Conforme os dados do último boletim Focus, as previsões dos analistas para 2027 e 2028 subiram para 4,22% e 3,8%, respectivamente.
Com relação ao dinamismo da economia brasileira, a atividade tem dado sinais de desaceleração no segundo trimestre após o crescimento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos três meses iniciais do ano. Segundo os especialistas, os altos juros no país são a principal explicação para essa perda de ritmo.
Esse movimento, contudo, pode ser atenuado pelas medidas fiscais e de crédito anunciadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com potencial para impulsionar o consumo das famílias em ano eleitoral.
No ambiente externo, o preço do petróleo caiu na véspera do Copom para o menor valor em quase um mês depois de os Estados Unidos falarem em acordo com o Irã. Na terça (4), o barril Brent ficou abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde 13 de julho.
Cinco das oito reuniões do Copom do ano foram realizadas com quórum reduzido, com desfalque de dois diretores. O próximo encontro está previsto para 15 e 16 de setembro.



