O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (5), por meio da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que o início da guerra no Oriente Médio provocou alta nas expectativas de inflação para este ano e os próximos horizontes.
Segundo a autoridade monetária, as projeções inflacionárias — medidas por diferentes agentes econômicos e instrumentos de mercado — voltaram a subir após o agravamento do cenário geopolítico, permanecendo acima da meta em todos os períodos analisados. O BC também destacou uma nova desancoragem das expectativas de longo prazo, especialmente para 2028.
Mesmo diante desse ambiente mais incerto, o Banco Central avaliou que os recentes choques externos não impedem a continuidade do ciclo de redução da taxa básica de juros. Na semana passada, o Copom reduziu a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano — o segundo corte consecutivo.
O BC classificou como “mais adequada” a redução de 0,25 ponto percentual, indicando uma postura de gradualismo na condução da política monetária. A decisão ocorre após um período prolongado de juros em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas até março de 2026, que contribuiu para a desaceleração da atividade econômica.
“O Comitê julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”, diz trecho da ata.
Política monetária segue sem sinalização futura
Apesar do novo corte, o Banco Central evitou indicar os próximos passos da política de juros. Segundo a ata, a trajetória futura dependerá da evolução dos dados econômicos e do comportamento das expectativas de inflação.
O Copom reforçou que manterá o compromisso com a convergência da inflação à meta, e que a intensidade e duração do ciclo de ajustes serão definidas “ao longo do tempo”, conforme novas informações forem incorporadas às análises.
Em um trecho da ata o colegiado diz que “essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”.
Cenário externo e economia doméstica
O BC destacou que a incerteza internacional permanece elevada, não apenas pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, mas também por dúvidas sobre a política econômica dos Estados Unidos.
No cenário interno, a autoridade monetária avaliou que a economia brasileira segue em trajetória de desaceleração, movimento considerado necessário para o reequilíbrio entre oferta e demanda e para o controle inflacionário.
Fiscal e projeções do mercado
A ata também ressalta que a política fiscal pode influenciar a inflação no curto prazo, ao estimular a demanda agregada. Nesse sentido, o BC afirma que uma postura fiscal contracíclica pode ajudar na convergência da inflação à meta.
No mercado financeiro, as projeções indicam que a Selic deve encerrar o ano em 13% ao ano. Já para a inflação, a expectativa é de 4% no próximo ano, ainda acima do centro da meta contínua de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O Banco Central concluiu que, em um cenário de maior incerteza global, a condução da política monetária deve seguir com “serenidade e cautela”, incorporando novos dados sobre os efeitos dos conflitos internacionais e seus impactos sobre os preços ao longo do tempo.



