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quarta-feira, 25 março, 2026
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Bachelet perde apoio do Chile e será candidata pelo Brasil para liderar a ONU

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A chilena Michelle Bachelet perdeu o apoio de seu próprio governo em Santiago para sua candidatura para liderar a ONU. Mas mantém sua aposta, agora com o apoio de Brasil e México. Seu nome havia sido lançado pelos três países latino-americanos para o pleito que será definido em outubro. Mas a vitória da extrema direita no Chile levou o governo local a rever sua posição e a retirar o apoio para Bachelet.

A candidata já foi presidente do Chile em duas ocasiões e é uma das líderes de esquerda da América Latina. Em fevereiro, ela foi oficialmente lançada para ocupar o cargo máximo da ONU, numa iniciativa que envolveu os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Claudia Scheinbaum e Gabriel Boric.

Mas a chegada ao poder de José António Kast, cujo irmão foi ministro de Pinochet, mudou a história. O líder da extrema direita decidiu romper com a chapa por Bachelet.

A chilena tenta ser a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral da ONU e existia um compromisso informal de que, depois de 80 anos, a entidade teria candidatas apenas mulheres para a escolha no final de 2026.

Mas o governo de Javier Millei, apoiado por Donald Trump, decidiu ir adiante com o nome de Rafael Grossi, atual diretor da Agência Internacional de Energia Atômica.

Para ser eleita, Bachelet precisa contar com a maioria dos votos da Assembleia Geral da ONU e, principalmente, não pode ser vetada por nenhum dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Bachelet, apesar de perder o apoio de seu próprio país, anunciou que não irá desistir.

Leia na íntegra o comunicado da chilena:

Historicamente, o Chile tem buscado fortalecer o multilateralismo e tem sido capaz de transcender ciclos e circunstâncias políticas. O compromisso com a cooperação internacional, a promoção da paz e os direitos humanos tem sido uma marca registrada que conferiu ao nosso país prestígio e reconhecimento no cenário global. Esse compromisso deriva de uma convicção inabalável no que diz respeito ao bem-estar global e à dignidade de todas as pessoas, princípios que norteiam meu trabalho para além de qualquer conjuntura política.

Nesse sentido, sou grato pelo apoio e pela confiança que o Estado do Chile expressou inicialmente ao apresentar publicamente esta candidatura em setembro passado e formalizá-la em fevereiro. Compreendo que as decisões de política externa podem mudar com novas administrações e, como ex-Chefe de Estado, considero essa decisão como parte das prerrogativas do atual chefe de governo, mesmo que minha visão para o Estado possa ser diferente.

Minha candidatura faz parte de uma visão compartilhada sobre a necessidade de fortalecer o sistema internacional e de contribuir, a partir da América Latina, para uma Organização das Nações Unidas à altura dos desafios do nosso tempo. Em um mundo turbulento, marcado por conflitos, desigualdades e profundas incertezas, precisamos de uma ONU mais eficaz, eficiente e relevante para cumprir suas tarefas essenciais nas áreas de paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos. Reformar e fortalecer o sistema multilateral não é um mero slogan; é uma necessidade urgente para melhorar a vida das pessoas.

Meu compromisso em contribuir para esse desafio permanece inabalável; portanto, continuarei trabalhando com os governos do Brasil e do México, que me indicaram, reafirmando o caráter coletivo deste projeto. Uma candidatura deste nível nunca é fácil, mas os valores e princípios que nortearam minha vida me levam a assumir este desafio com responsabilidade e convicção. Por fim, continuarei trabalhando com o olhar voltado para o futuro, como tenho feito ao longo da minha vida, convicto de que os desafios do século XXI exigem uma cooperação generosa que transcenda as legítimas diferenças políticas internas.





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