25.3 C
Manaus
sábado, 14 fevereiro, 2026
InícioPolíticaAvanço do mar sobre casas e desaparecimento de praias: erosão costeira ameaça...

Avanço do mar sobre casas e desaparecimento de praias: erosão costeira ameaça América Latina, alerta geógrafo

Date:

[ad_1]

Em Atafona (RJ), parte da cidade foi engolida pelo mar: mais de 500 casas e até um prédio foram destruídos numa área de dois quilômetros, nos últimos anos. No Chile, ondas de até 11 metros devastaram a costa central em 2015, e desde então cerca de 40 eventos extremos são registrados por ano, deixando praias como Reñaca e Algarrobo em risco de desaparecer. Casos como estes representam o avanço da erosão costeira, que já afeta gravemente cidades da América Latina.

Na Argentina, a erosão que antes era crítica no sudeste de Buenos Aires se espalhou para o norte e para o sul, atingindo também o Uruguai e o sul do Brasil com tempestades cada vez mais intensas. A Colômbia tem cerca de metade das praias sob erosão, com trechos em La Guajira perdendo até quatro metros de costa por ano. No Caribe, sucessivos furacões aceleram o desgaste de áreas turísticas. No Peru, grandes portos têm agravado os problemas em diversas praias.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o geógrafo Wagner Ribeiro, professor de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), explica que a erosão costeira resulta da combinação entre processos naturais e intervenção humana. “Quando intervimos nesse tipo de dinâmica, as consequências certamente virão. Você pode alterar, por exemplo, o fluxo de maré e a forma de deposição de sedimentos”, alerta.

Entre os impactos mais graves, Ribeiro destaca o desaparecimento de praias e a destruição e o abandono forçado de residências. “Uma das mais sérias é justamente a penetração do mar em áreas, às vezes, consolidadas com ocupação humana. Você tem que, muitas vezes, abandonar as áreas, não pode mais viver ali porque o mar está chegando com uma grande intensidade”, aponta.

O professor também chama atenção para o impacto social do fenômeno. “Quem vive de pesca, por exemplo, vai ver que aquele cardume que passava com frequência não está mais presente naquela áreas; ele desvia”, indica. Em Atafona, a maioria dos cerca de 7.000 habitantes sobrevivem da pesca e do turismo. Segundo o relatório Mares revoltos em um mundo em aquecimento, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2024, áreas como o distrito fluminense devem perder mais cerca de 150 metros de suas áreas litorâneas em 28 anos.

Além de Atafona, outros pontos no Brasil vivem situações avançadas de erosão. Em dezembro de 2024, o governo federal reconheceu estado de calamidade em Baía da Traição (PB), após a destruição de casas e estradas pela ação. Em Natal (RN), a Praia de Ponta Negra passou por obras de “engorda” da faixa de areia, uma medida emergencial finalizada no início de 2025, que levantou debates sobre impactos ambientais e sociais.

Por enquanto, não há um planejamento nacional robusto e integrado no Brasil relacionado à erosão costeira, diferentemente de outros países, como a Espanha. “Em 2008, quando visitei a cidade de Sevilha, já havia um mapeamento projetando a elevação do nível do mar para as mudanças climáticas. Nós, infelizmente, não chegamos a esse nível de ação para o território brasileiro”, compara Ribeiro.

Ainda assim, surgem esforços técnicos pontuais. O ProCostaRS, um projeto liderado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi lançado recentemente com o objetivo de prever calamidades climáticas e monitorar a erosão em áreas litorâneas. O sistema pretende antecipar cenários de risco e subsidiar políticas públicas, funcionando como ferramenta estratégica diante do avanço do mar.

Histórico: Câmara vota isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil | Conexão BdF - 2ª Edição

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 9h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

[ad_2]

Fonte: Brasil de Fato

spot_img
spot_img
Sair da versão mobile