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Aula pública na UnB antecipa Marcha das Mulheres Negras ao propor diálogo sobre reparação e bem viver — Brasil de Fato

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A Universidade de Brasília (UnB) recebe nesta sexta-feira (24), às 19h, uma aula pública intitulada “Por Reparação, Bem Viver e Caminhos Abertos”, que marca o início de uma série de atividades formativas em preparação para a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, prevista para novembro de 2025.

O evento, gratuito e aberto ao público, será realizado no Auditório do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS), no campus Darcy Ribeiro, e reunirá pesquisadoras, militantes e estudantes negras para discutir os caminhos que unem academia, ativismo e políticas públicas.

A primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras ocorreu em 2015, quando mais de 100 mil mulheres negras de todo o país tomaram as ruas de Brasília com o lema “Contra o Racismo, a Violência e Pelo Bem Viver”. Agora, dez anos depois, a segunda edição se aproxima.

Mulheres negras no centro

A aula desta sexta-feira é uma das ações públicas voltadas à mobilização rumo à nova marcha. Para Thânisia Cruz, integrante do Comitê da Marcha e uma das organizadoras da atividade na UnB, o momento é de costura entre diferentes frentes do movimento negro feminino. “A gente quer fazer com que a Universidade de Brasília se atente para aquilo que as mulheres negras estão dizendo: que estão em marcha”, afirma.

Com formato de roda de conversa, a atividade contará com mulheres negras, acadêmicas, ativistas e comunicadoras. Para Thânisia, essa escolha carrega simbolismo e estratégia: “O objetivo da aula é trazer a perspectiva das mulheres negras para o contexto das universidades públicas e das políticas públicas brasileiras”, explica.

Ela também reforça que a construção da aula tem origem na própria UnB, articulada pelas disciplinas de Estudos das Relações Étnico-Raciais e de Gênero. “É uma aula pública, como o rito da universidade permite: aberta, livre e direcionada a todas as pessoas interessadas”, pontua. A ideia é transformar a universidade em um espaço de escuta, debate e construção de novos sentidos.

Bem viver

O foco do encontro será a articulação entre reparação histórica e o conceito de bem viver, inspirados tanto por experiências afro-brasileiras quanto por filosofias ameríndias. Thânisia explica que esses temas não são abstrações, mas sim centrais para disputar narrativas, elaborar políticas e propor novos modelos de sociedade.

“Vamos falar de reparação e bem viver como temas norteadores para disputa de narrativa, para dialogar sobre novas metodologias e novas construções que nos tirem do processo do genocídio, do feminicídio e das violências correlatas ao racismo”, reflete a integrante do Comitê da Marcha.

A perspectiva é que essa disputa de sentidos, entre o que é reparação e o que é viver bem, ajude a transformar os espaços de poder e decisão no Brasil. Segundo ela, a universidade não pode ficar à margem disso. “A universidade pública é o berço de um dos ganhos mais importantes da história da população negra, que são as cotas raciais. Mas esses espaços são sempre campos de disputa, e é preciso manter o diálogo vivo, trazendo novas ideias para um projeto político em que as mulheres negras estejam no campo do poder”, afirma Thânisia.

Maioria da população

No Distrito Federal, as mulheres negras compõem uma parcela significativa da população: cerca de 55,1% das mulheres se autodeclaram pretas ou pardas, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF/Codeplan, 2021). Em termos de força de trabalho, elas representam 34,7% da população em idade ativa na Área Metropolitana de Brasília e 28,2% da população ocupada, ou cerca de 397 mil mulheres no mercado formal e informal.

Além de ser um espaço de escuta, a aula pública busca apontar direções para o futuro do movimento negro feminino no Brasil. “A importância da atividade é dizer que existem diferentes manifestos sendo construídos pelas mulheres negras”, destaca Thânisia. “Esses manifestos podem nortear os próximos 10 anos da nossa história, e queremos caminhar juntas, entre todas as mulheres negras, sejam estudantes, professoras, técnicas ou militantes, para fortalecer essa trajetória coletiva.”

A programação da aula pública inclui nomes de destaque como as professoras Ana Flávia Magalhães e Mariléa de Almeida, a discente e comunicadora Thaiane Miranda, a pesquisadora Marina Reis, do Laboratório Lélia Gonzalez, e a ativista Elizabeth Mamade, além da mediação de Brenna Vilanova, do Movimento Negro Unificado (MNU/UnB).

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Serviço

Aula Pública “Por Reparação, Bem Viver e Caminhos Abertos”

Data: sexta-feira (24)

Horário: 19h

Local: Auditório do PPGHIS – Campus Darcy Ribeiro (ICC Norte, Bloco B, Subsolo, Módulo 24 – UnB)

Aberta ao público

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Fonte: Brasil de Fato

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