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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Ato pela Cedae pública reúne milhares no centro do Rio contra nova privatização do saneamento — Brasil de Fato

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A ameaça de uma nova privatização do saneamento no estado do Rio de Janeiro motivou um ato com ampla participação de movimentos populares, trabalhadores e moradores de favelas nesta quinta-feira (9). Cerca de duas mil pessoas protestaram na frente do Palácio Guanabara, no centro do Rio, em defesa da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) pública. 

A mobilização tenta barrar a venda de ações da estatal, denunciando que houve piora no serviço quando as concessionárias assumiram a distribuição de água. A defesa da água como bem público e da soberania hídrica no estado do Rio de Janeiro foram as principais bandeiras da manifestação. 

A deputada Marina do MST (PT), presidente da Comissão de Segurança Alimentar na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), afirmou que o governador Cláudio Castro (PL) tenta enganar o povo ao negar que a abertura de capital da Cedae representa a privatização da água. 

“A água também é alimento e não há nenhuma possibilidade de nós termos soberania alimentar sem termos água, sem termos a soberania hídrica. Nós sabemos que o que está em jogo é privatizar, é transformar apenas em lucro um bem público que é de direito do nosso povo”, disse Marina.

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O consórcio Hidro Rio venceu uma licitação de R$ 18,75 milhões para elaborar um estudo e avançar com a proposta. Na prática, pesquisadores alertam que a medida representa a privatização de uma etapa considerada fundamental para segurança hídrica do estado. Isso porque a Cedae tem como foco da produção de água que chega nas torneiras da população fluminense.

Um grupo de parlamentares fez um pedido na Alerj para formar uma comissão especial que pretende acompanhar e fiscalizar o governo estadual sobre a abertura de capital da Cedae. Eles também reclamam que há uma falta de transparência no decorrer desse processo. 

Para o deputado estadual Flávio Serafini (Psol), a ameaça de privatização da produção de água, com a abertura do capital da Cedae, faz parte de uma série de ataques aos direitos sociais da população do estado do Rio de Janeiro.

“Se eles conseguem avançar e privatizar o que resta da Cedae, vender os imóveis públicos, atacar a previdência dos servidores, não vai sobrar direito social, não vai sobrar serviço público. Não vai sobrar acesso à água por causa dessas empresas que já dificultam a tarifa social, que aumentam o valor, que perseguem os mais pobres negando o direito a um bem básico que é o direito à água”, alertou Serafini.

Dani Balbi (PCdoB) ressaltou que as comunidades foram as mais prejudicadas com a “privatização criminosa do serviço de abastecimento de água potável que o governador entregou para iniciativa privada”.

“Águas e esgotos são não só um direito inalienável para a classe trabalhadora, mas também a primeira ponta de acesso à saúde. O que a gente tem visto é desabastecimento, descontinuidade do serviço, aumentos abusivos da conta de água que chegam na ordem dos 1.000% e quem paga é a classe trabalhadora preta, favelada, das periferias do nosso Estado Rio de Janeiro”, exclamou a deputada Balbi.

Desgoverno Castro

A privatização da distribuição da água foi apresentada pelo governo Castro com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2021, como solução para a crise financeira do Rio de Janeiro. Com a chegada das concessionárias, os problemas com falta d’água, aumento de tarifas e rompimento de adutoras se multiplicaram.

Em sua fala durante o ato, o deputado federal Glauber Braga (Psol) fez duras críticas a Castro e afirmou que o Rio de Janeiro tem o pior governador do Brasil “que tenta agora entregar tudo aquilo que é patrimônio do estado”. 

“Eles [extrema direita] não têm um projeto para o estado do Rio, tem um projeto de poder pessoal que envolve muita grana. O que ele [Castro] fez na última eleição entregando a distribuição [de água] da Cedae para se eleger governador, esparramando dinheiro, não mais vai se repetir. O povo do RJ está ciente dos prejuízos que teve com o desgoverno de Cláudio Castro”, afirmou.

Manifestantes criticaram governador Cláudio Castro (PL), apoiador do ex-presidente condenado a 27 anos por golpe de Estado. (Foto: Fernando Velloso)

Braga afirmou que os municípios que não aderiram à privatização em 2021 estão sendo pressionados a vender a concessão. Segundo mapa do saneamento da companhia, 15 cidades do interior continuam assistidas exclusivamente pela Cedae desde a produção até a distribuição e comercialização da água.

Para o deputado, esses municípios dão o exemplo da qualidade do serviço prestado pela empresa pública, ao contrário das regiões atendidas pelas concessionárias privadas. “Nas regiões onde a água foi privatizada, o grau de insatisfação de povo está nas alturas. Onde a Cedae continua as pessoas querem ver a continuidade do trabalho. Apoiar esses municípios é fundamental porque eles servem de exemplo para a necessária reestatização em todo o estado do Rio”, disse.

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Fonte: Brasil de Fato

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