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quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Ato pede justiça para Felipe em frente a supermercado onde ele foi morto por segurança

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Por Catarina Duarte e Daniel Arroyo – Ponte Jornalismo

Um protesto na noite desta sexta-feira (29/8) pediu justiça por Felipe Moraes de Oliveira, artista negro de 29 anos morto na última terça (26/8) pelo segurança de um supermercado no Jardim do Estádio, bairro na periferia de Santo André, região metropolitana de São Paulo. Familiares, artistas e ativistas de movimentos negros concentraram-se na Praça Carijós, em Vila Linda, a partir das 18h e saíram em caminhada até o mercado Loyola, onde ocorreu o crime.

Levando velas e cartazes, os manifestantes disseram palavras de ordem contra a violência e o racismo. “Não é possível que a nossa juventude vai continuar sendo morta por nada, por nada”, desabafou, emocionada, a companheira de Felipe, Evelyn Silva. No início do cortejo, uma viatura da Polícia Militar apareceu, pediu informações sobre o trajeto que seria feito pelos manifestantes e os orientou a não interromperem a faixa de trânsito.

Mais tarde, já em frente ao mercado, duas viaturas da PM e uma dezena de agentes, apoiados por duas motos da Rocan (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas), acompanharam o protesto à distância. A manifestação terminou por volta das 20h45artista negro morto sp protesto

Entenda o caso do artista morto

Felipe Moraes de Oliveira foi morto a tiros dentro do supermercado Loyola, em Santo André (SP), na manhã de 26 de agosto de 2025. Segundo a família, ele discutiu com um segurança do local após tentar entrar com seu cachorro. Um vídeo obtido pela Ponte mostra o momento da discussão [veja abaixo].

O vídeo mostra Felipe segurando seu cachorro enquanto espera no caixa do supermercado. Logo, um homem aparece gesticulando e parece discutir com o artista. Felipe, então, se aproxima e levanta o moletom que vestia, deixando a barriga à mostra. Os dois permanecem frente a frente, e é possível ver que o homem segura algo na mão.

Em seguida, uma terceira pessoa surge na imagem e se coloca entre os dois, aparentemente para tentar apaziguar a situação. Felipe gesticula e, em determinado momento, desfere um chute na direção do homem. Nas imagens, porém, não é possível identificar com clareza uma arma de fogo, o clarão de disparo ou o instante exato do tiro. Depois, Felipe se afasta e desaparece do campo de visão da câmera.

De acordo com o UOL, após ser atingido, Felipe correu até uma farmácia próxima em busca de ajuda, mas não resistiu ao ferimento e morreu no local. O cachorro foi resgatado em seguida pela família.

Familiares afirmam acreditar que o homem que atirou era policial fazendo “bico” como segurança, mas a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) negou essa informação. O caso gerou indignação nas redes sociais, onde foi criado o perfil “Justiça por Felipe”, que denuncia o crime como reflexo do racismo estrutural do país.

Felipe era artista visual, músico, artesão, percussionista e capoeirista. Atuava como “multiartista independente e periférico”, produzindo peças como brincos, anéis, pulseiras e quadros, e era presença constante em batalhas de rima e exposições na região do ABC.

Ele também praticava capoeira. O mestre Pelé lembra da dedicação do aluno. “Ele gostava muito da capoeira. Teve um momento em que a aula foi cancelada e ele ia ao espaço e treinava sozinho”, contou.

A SSP-SP informou que o autor do disparo foi identificado pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Santo André e está preso temporariamente.

O caso mobilizou movimentos negros, como o Movimento Negro Unificado (MNU), além da Bancada Feminista do PSOL, que acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

 



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