25.3 C
Manaus
sexta-feira, 13 fevereiro, 2026
InícioPolíticaAtivistas do Sul Global recebem tratamento desigual em prisão em Israel, denuncia...

Ativistas do Sul Global recebem tratamento desigual em prisão em Israel, denuncia organização da Flotilha

Date:

[ad_1]

Representantes da Embaixada do Brasil em Tel Aviv foram até a prisão de Kesdiot, no deserto de Negev, nesta segunda-feira (6), em visita às brasileiras e brasileiros participantes da Flotilha Global Sumud sequestrados por Israel em águas internacionais.

Em contato com a embaixada, a assessoria de imprensa da Flotilha Global Sumud recebeu informações de que os ativistas sofrem violência psicológica. Entre os relatos, está a quantidade insatisfatória de medicamentos e alimentos a que eles têm acesso.

A assessoria da flotilha denuncia ainda o tratamento desigual aos integrantes do Sul Global pelo governo de Israel. “Nenhum dos integrantes com passaportes latino-americanos ainda foram anunciados deportados pelas autoridades israelenses”, alerta a nota.

Até o momento, o único integrante da delegação brasileira que saiu da prisão foi Nicolas Calabrese, cidadão argentino-italiano residente no Brasil, com passaporte europeu, deportado pela delegação italiana. Ao todo, 340 dos 450 detidos foram deportados.

Em live realizada em seu perfil no Instagram, a advogada Lubna Tuma, do centro jurídico Adalah — grupo israelense de direitos humanos — reiterou as denúncias de maus tratos. Ela relata dificuldade de acesso à comida, água e medicamentos e casos de ativistas forçados a permanecerem por horas em posições dolorosas.

Tuma denuncia ainda o tratamento diferenciado em relação aos cidadãos árabes. Em alguns depoimentos, outras pessoas relataram que as mulheres muçulmanas foram impedidas de rezar e usar o hijab dentro da prisão.

“Para a advogada, o objetivo das autoridades israelenses é desestimular a solidariedade ao povo palestino e impedir que alguém ouse pensar em realizar novamente uma missão humanitária, como a Flotilla, que tenta romper o cerco cruel ao qual submetem os palestinos de Gaza levando ajuda humanitária”, ressalta a nota enviada pela comunicação da flotilha.

A Embaixada brasileira em Tel Aviv afirma ter inquirido as autoridades israelenses sobre os relatos, além de protestar contra os maus tratos aos ativistas e instar as autoridades locais a cumprir suas obrigações à luz do direito internacional.

‘Ninguém pode dizer que não sabe’

Nesta sexta, mais 171 participantes foram anunciados como deportados por Israel, todos eles de nacionalidade europeia. Entre eles, está a ativista sueca Greta Thunberg, que foi humilhada e sofreu violência física ao ser detida. Greta chegou à Grécia ainda nesta segunda, onde fez um discurso para os apoiadores, evitando focar na sua detenção, mas chamando novamente atenção ao genocídio.

“Eu poderia falar por muito tempo sobre os maus tratos e abusos durante o encarceramento. Mas essa história não é sobre nós”, disse a ativista, em Athenas. “Há um genocídio acontecendo debaixo dos nossos olhos (…) Ninguém tem o privilégio de dizer que não sabe o que está acontecendo”, declarou.

Lula denuncia violação de leis internacionais

Em publicação na rede social X, nesta segunda-feira, o presidente Lula (PT) declarou que Israel violou as leis internacionais ao interceptar os integrantes da Flotilha Global Sumud com cidadãos brasileiros, fora de seu mar territorial.

“E segue cometendo violações ao mantê-los detidos em seu país”, escreveu o presidente.

Na publicação, Lula informa que, desde a primeira hora, deu o comando ao Ministério das Relações Exteriores “para que preste todo o auxílio para garantir a integridade dos nossos compatriotas e use todas as ferramentas diplomáticas e legais, junto ao Estado de Israel, para que essa situação absurda se encerre o quanto antes e possibilite aos integrantes brasileiros da flotilha regressarem a nosso país em plena segurança”.

Israel alega que os integrantes da flotilha foram capturados em águas israelenses. A Global Sumud Flotilla aponta a mentira dessa acusação. “Nossos participantes foram sequestrados em águas internacionais e levados contra a sua vontade para Israel. Eles foram feitos reféns das forças de ocupação israelense e devem ser libertados”, informa a nota.

Além de Nico Calabrese, deportado nesta segunda-feira, integram a delegação brasileira da Flotilha os ativistas Thiago de Ávila e Silva Oliveira, João Aguiar, Miguel de Castro, Bruno Gilga, Lisiane Proença Severo, Magno de Carvalho Costa, Ariadne Catarina Cardoso Teles, Mansur Peixoto, Gabrielle Da Silva Tolotti, Mohamad Sami El Kadri, Lucas Farias Gusmão, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e a vereadora de Campinas, Mariana Conti (PSOL-SP).

O jornalista Hassan Massoud, portador de passaporte brasileiro e correspondente da rede Al Jazeera em São Paulo, não está preso ilegalmente em Israel, pois estava na embarcação Shireen, um barco observador, com juristas, parlamentares e jornalistas, que não cruzou a zona de risco e, portanto, não foi interceptado.

[ad_2]

Fonte: Brasil de Fato

spot_img
spot_img