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terça-feira, 18 agosto, 2026
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Ateísmo e Mística – ICL Notícias

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Enquanto os místicos lidam bem com o mistério, os apologetas institucionais lidam com certezas.

O testemunho negativo no âmbito da Igreja institucional gera cristãos frustrados que tendem a migrar para condição de ateus?

Observadores descrentes afirmam certo ceticismo que confunde o não crer em Deus com o fato de não serem convencidos pela vivência da fé daqueles que dizem Nele crer?

O mal-estar com a Igreja na nossa cultura seria o estágio primário daqueles que não conseguem crer?

Conhece alguém que alega que a sua crise de fé teve por origem a obsessão pelo poder de um líder religioso que lhe era próximo?

Por que os místicos calam e os apologetas institucionalizados gritam?

São perguntas que me ocorrem nas conversas com gente querida que diz querer, mas não consegue crer. Vinícius de Moraes traduziu esse sentimento em Cotidiano nº 2: “Às vezes quero crer, mas não consigo / tudo uma total insensatez / Aí pergunto a Deus: escute, amigo / Se foi pra desfazer, por que é que fez?”

Os apologetas treinados correm para responder. Os místicos ouvem em silêncio.

A Modernidade preceitua exatamente a autonomia da vida pública dos valores religiosos. No máximo, as motivações religiosas seriam admitidas para conduzir a vida dos indivíduos, jamais definidoras do teor de “bem comum”.

A chave hermenêutica mais apropriada para o conceito de Reino de Deus não seria a disputa pelo poder, mas a disposição cristã para o serviço. Com um pouquinho de esforço conseguimos colocar Jesus na nossa práxis cristã (sim, contém ironia!).

Querer afirmar a imagem de um Deus todo-poderoso, absoluto, senhor, que por delegação atribui a missão aos fiéis de governarem sobre os infiéis, além de macular a imagem do divino potencialmente inviabiliza o diálogo humano.

Inspirada no Cristo encarnado, a Igreja se põe a serviço do mundo. Ou seja, o testemunho cristão, nessa visada, baseia-se no serviço despojado.  A ética, nessa dinâmica, não cansa nem sobrecarrega a quem quer que seja, pois não é manipulada como fardo nos ombros alheios. No entanto, esses valores baseados na misericórdia, na empatia e no respeito pelo outro, seja ele ou ela quem for, aliviam. Em suma, o Reino de Deus liberta os oprimidos e os opressores.

Tomados pelas perplexidades existenciais ou pelo pasmo com a condição humana, uns se desintegraram, outros perderam a fé, muitos preferiram métodos de torpores. No entanto, nessas épocas de extremos, teve quem conseguisse radicalizar a busca por uma vida integral e encontrasse a fé. Diante da conclusão da fugacidade da existência, passaram a admitir as possibilidades místicas.

A mística da qual tratamos é a mística de olhos abertos. Ou seja, trata-se de uma experiência com Deus que potencializa enxergar o outro com misericórdia, enquanto conduz a própria vida com sentido de missão objetiva.

Quanto à religião “divergente” de uns ou à falta de fé de outros, em nada deveria inviabilizar o respeito e o diálogo dos que pensam estar seguindo a Jesus. Os místicos não calam por falta do ter o que dizer, mas por saberem que a mais contundente epifania é o amor ao próximo.

Quem experimentou Deus jamais assumirá a posição de defensor Dele. Deus fala mais quando aprendemos a calar frente ao mistério. A propósito, filosofando sobre a experiência mística, disse Ludwig Wittgenstein: “Acerca do que não se pode falar, importa que se guarde o silêncio”.

A experiência mística está para além das possibilidades dos registros da linguagem.





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