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sábado, 14 fevereiro, 2026
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Ata do Copom sinaliza juros altos por mais tempo

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O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros está no radar do Banco Central. Na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta terça-feira (5) pelo BC, o chamado “tarifaço” anunciado pelo presidente Donald Trump tem “impactos setoriais relevantes” e efeitos agregados ainda incertos, dependendo do desenrolar das negociações e da percepção de risco no mercado.

Apesar da incerteza, o Copom optou por manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião realizada na semana passada — o maior patamar em duas décadas —, como forma de conter pressões inflacionárias em um cenário de atividade econômica moderada e tensões externas crescentes.

“O Comitê acompanha com atenção os possíveis impactos [do tarifaço] sobre a economia real e sobre os ativos financeiros. A avaliação predominante é de que há maior incerteza no cenário externo e, consequentemente, o Copom deve preservar uma postura de cautela”, registra a ata.

Ata do Copom: Dólar, inflação e o risco de contaminação

A elevação tarifária, que entra em vigor nesta quarta-feira (6), atinge boa parte das exportações brasileiras, mas inclui uma lista de 700 exceções para setores considerados estratégicos, como o aeronáutico, energético e parte do agronegócio. Ainda assim, segundo estimativas da Amcham Brasil, cerca de 10 mil empresas exportadoras podem ser afetadas, com risco de impacto direto sobre os 3,2 milhões de empregos que esses negócios sustentam.

Embora o Copom ainda não tenha detectado efeitos imediatos do tarifaço sobre a inflação, analistas alertam que a medida pode pressionar o dólar — um dos principais canais de transmissão para a inflação interna — especialmente se houver percepção de deterioração das relações comerciais entre os países.

Nesse contexto, o BC destacou que manterá o foco nos “mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica de inflação interna e seu impacto sobre o cenário prospectivo”.

Selic deve continuar elevada

Com as expectativas de inflação ainda acima da meta em todos os horizontes — segundo diversos indicadores consultados pelo BC — a projeção oficial para 2025 segue em 5,07%, estourando o teto da meta contínua (1,5% a 4,5%). Para 2026, 2027 e 2028, o mercado também projeta inflação acima do centro da meta de 3%.

Diante disso, o Copom deixou claro que a atual política monetária “significativamente contracionista” deve permanecer por um “período bastante prolongado”. A sinalização é de que novos aumentos de juros não estão descartados: “O Comitê não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, alertou o BC.

Economia perde fôlego, mas consumo resiste

A ata também confirma uma desaceleração gradual da economia doméstica, embora com comportamentos mistos entre setores. O chamado “hiato do produto” — diferença entre o crescimento efetivo e o potencial — segue positivo, o que significa que o país ainda opera acima de sua capacidade sem gerar pressão inflacionária.

O consumo das famílias, por sua vez, continua sustentado por um mercado de trabalho aquecido. O BC apontou ganhos reais de renda e queda histórica na taxa de desemprego como fatores que ajudam a manter a demanda. No entanto, observou com preocupação o aumento no comprometimento da renda das famílias com dívidas e o crescimento da inadimplência no crédito livre.

Fiscal em foco: reformas e dívida pública

O Copom voltou a enfatizar que a política fiscal terá papel decisivo na trajetória da inflação. A falta de disciplina nas contas públicas, o aumento do crédito direcionado e o enfraquecimento do compromisso com reformas estruturais podem, segundo o BC, elevar a taxa de juros neutra da economia — o que exigiria taxas ainda mais altas para conter a inflação.

“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, conclui o texto.



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