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quarta-feira, 15 julho, 2026
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Às vésperas de prazo final, Brasil e EUA não chegam a acordo sobre tarifaço

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Os governos do Brasil e dos EUA não chegaram a um acordo sobre as tarifas entre os dois países. Nesta terça-feira, as autoridades de Brasília e Washington voltaram a se reuniram e o governo Lula reiterou que considera como injusta a barreira proposta pelo governo norte-americano contra as exportações brasileiras.

Termina nesta quarta-feira o prazo dos EUA para anunciar ou não a imposição de tarifas comerciais sobre o Brasil. A proposta da Representação Comercial dos EUA é de que centenas de produtos nacionais recebam uma taxa de 25% para entrar no mercado americano.

Num comunicado, Brasília afirmou que “hoje, no final da tarde, as equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC, do Ministério das Relações Exteriores – MRE e da Assessoria Especial do Presidente da República, mantiveram a quinta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, desde 07 de maio, quando os dois Presidentes decidiram estabelecer um grupo de trabalho dedicado ao diálogo comercial”.

“Na reunião de hoje, foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias”, disse o governo brasileiro.

“Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas”, insistiu.

“Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, apontou a nota.

“O prazo para o anúncio da medida e da lista de bens expostos à recomendação terminará amanhã, 15 de julho”, completou.

Na última sexta-feira, o ICL Notícias revelou como o governo brasileiro acreditava que o cenário mais provável nas negociações comerciais com os EUA é de que a Casa Branca aplique tarifas contra os produtos brasileiros.

Ainda que algumas concessões possam ser incluídas, o Palácio do Planalto trabalha com a perspectiva de que será tarifado em 25% em dezenas de setores.

A impressão de que a barreira será implementada também é compartilhada por empresários que, nas últimas semanas, viajaram até os EUA para reuniões e audiências com as autoridades americanas. A percepção de muitos é de que o USTR, o escritório de comércio da Casa Branca, não está levando em consideração elementos técnicos apresentados pelo governo brasileiro e nem pelo setor privado.

Nesta sexta-feira, ministros e técnicos se reuniram com o presidente Lula em Brasília para lidar com a provável tarifa. A decisão é a de reagir de forma enfática e denunciar o fato de que as taxas serem “injustificáveis”, caso a tarifa seja anunciada.

Tampouco está descartada a adoção de medidas de reciprocidade. Mas, neste caso, o governo admite terá de esperar para entender a magnitude exata da barreira.

A possibilidade do protecionismo contra o Brasil cresceu depois que, na imprensa americana, negociadores dos EUA confirmaram que existe uma distância ainda grande na posição entre os dois países.

Nos encontros, negociadores relatam que, de fato, os EUA continuam a manter uma postura maximalista e evitar qualquer aproximação de posturas. Nos encontros, a Casa Branca admite que conta com superávit com o Brasil. Mas insiste em denunciar supostas práticas desleais por parte do país.

Manobra para ajudar Flávio não está descartada

Apesar de acreditar que deve ser taxado, o governo brasileiro não descarta que a Casa Branca possa promover uma manobra para tentar ajudar Flávio Bolsonaro em sua campanha eleitoral.
Neste caso, Washington anunciaria que estaria adiando as tarifas, o que permitiria que a extrema direita brasileira use esse fato como um argumento de que teria sido o candidato bolsonarista que teria conseguido fazer Trump ceder.

Se esse caminho for adotado pela Casa Branca, porém, o governo Lula vai martelar a narrativa de que a tarifa jamais teve um argumento econômico. O adiamento, assim, abalaria a credibilidade dos negociadores dos EUA e do USTR.

O gesto, portanto, seria visto como uma atitude deliberada para interferir na eleição brasileira.





ICL Notícias

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