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quarta-feira, 9 setembro, 2026
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As massas no Setembro Amarelo

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Longe de ser um espaço de acolhimento, a dinâmica das massas nas redes sociais opera um verdadeiro retorno ao “estado de natureza” hobbesiano: uma guerra de todos contra todos. Como manter a sanidade quando o pacto social está fraturado?

Acordei com aquele vagar que chamam de perplexidade. Em pleno setembro, após a Copa do Mundo, o Brasil parece pronto para continuar desassossegando. Na proporção em que nos informamos, nos angustiamos.

O lema do Setembro Amarelo de 2026 é “Escutar é estar presente”, mas a sensação é de que todos estão falando e ninguém está prestando atenção. O debate público insalubre adoece. Como disseram Chico Buarque e Gilberto Gil em outros setembros: “Atordoado eu permaneço atento”. Conscientizar a população sobre saúde mental não vai funcionar se as estruturas sociais continuarem disfuncionais.

As massas, como dizia Jean Baudrillard, sentenciam o social à insignificância: um conjunto de indivíduos empoderados fazendo a gestão de si como se fossem excepcionais. A massa é sem sentido, sem predicado, sem noção, sem lastro e sem alma.

Como manter a saúde mental em pleno colapso do social e diante da afirmação das redes sociais que consagram as massas que resistem à comunicação racional? Soa como ingênuo alimentarmos uma pretensão pedagógica quando a massa só quer o espetáculo.

A linguagem à qual a massa está disposta a prestar atenção é aquela que desnorteia. Não precisa ser polida e, preferencialmente, que não seja educada. A arte do encontro acontece no modo ofensa. Quem brinca nessa nova dança dos signos aprende a ser indiferente e a não levar os insultos para o coração.

Jamais devemos confundir “massa” com o “social”. Permanecer na condição de massa é assumir-se tão reacionário que se consegue regredir para o “estado de natureza”. Ou seja, conforme descreveu Thomas Hobbes, no estado de natureza vigorava a guerra generalizada, o medo constante que dominava a vida de cada indivíduo. Parece que o nosso pacto social está fraturado, trazendo efeitos colaterais terríveis para a nossa saúde mental.

Dizer que a multidão não está entendendo nada é despersonificá-la. Outro modo de elaborar o argumento é simplificar a omissão da massa no uso corriqueiro do termo alienação. Neste sentido, a massa seria inimputável porque é alienada.

Soa simplório acreditar que as massas são irracionais na proporção em que são ignorantes, e que bastaria usar a pedagogia adequada para iluminar o caminho que levaria à emancipação. Portanto, nessa visada, o antídoto do egoísmo da massa seria a educação.

A realidade parece vergar o que um dia chamamos de esperança. O silêncio das massas nos atordoa.





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