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Por Brasil de Fato
O ano de 2026 começou o transporte mais caro para os usuários da Região Metropolitana de Buenos Aires, na Argentina. As tarifas de ônibus, metrô e Premetro (sistema de transporte público de superfície similar a um VLT ou bonde moderno) subiram 4,5% este mês, elevando as passagens pagas com o cartão Sube (Sistema Único de Boleto Eletrônico).
O Sube é um cartão magnético pré-pago e obrigatório para usar o transporte público em várias cidades da Argentina. Este reajuste responde a um mecanismo automático vigente desde 2024, que utiliza a inflação do mês anterior (neste caso, os 2,5% de novembro) acrescida de 2%.
A medida, autorizada pelo Ministério dos Transportes do governo de Javier Milei, sob a gestão de Martín Marinucci, visa “garantir a continuidade e a regularidade dos serviços provinciais e melhorar a qualidade e as condições da prestação dos serviços”, segundo comunicado oficial da pasta. Com isso, os usuários de transporte público na Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) enfrentam novos custos. Os aumentos abrangem tanto a província quanto a cidade de Buenos Aires.
Aumento de salário para ministros
Simultaneamente ao aumento das tarifas no transporte público, o governo de Javier Milei determinou uma atualização salarial nos altos escalões do governo. Conforme publicado no Diário Oficial nesta sexta-feira (2), o Decreto 931/2025 estabelece que ministros, secretários e subsecretários passarão a receber o reajuste salarial acumulado concedido aos servidores da Administração Pública Nacional entre janeiro de 2024 e julho de 2025 a partir de janeiro deste ano.
A medida encerra um período de contenção que vigorava desde dezembro de 2023, equiparando os salários das autoridades aos índices obtidos pelo funcionalismo público em acordos coletivos, sob o argumento de que a estabilidade macroeconômica e os 22 meses de superávit fiscal permitem tal atualização.
No entanto, o texto determina que, em caso de déficit fiscal acumulado, os salários serão automaticamente congelados, sem necessidade de novo ato administrativo.
“Caso a Administração Pública Nacional apresente um déficit financeiro fiscal acumulado, de acordo com as informações oficiais divulgadas pelo Ministério da Economia”, essas remunerações “serão automaticamente congeladas e a aplicação de novos aumentos salariais aprovados por regulamentos emitidos antes e/ou depois será suspensa”, afirma o texto.
Segundo o documento, o presidente Javier Milei e a Vice-Presidente Victoria Villarruel estão excluídos desses aumentos. O governo justifica a medida citando a queda da inflação e a redução da pobreza como provas de que as políticas atuais são eficazes para solucionar desequilíbrios históricos.
O regulamento argumenta que o congelamento que estava em vigor desde dezembro de 2023 e também devido às conquistas da administração Milei, como “22 meses de superávit fiscal”, “a queda da inflação” e “a redução da taxa de pobreza”, justificam os reajustes. Segundo o governo, essas mudanças econômicas “demonstram que as medidas adotadas pelo Estado Nacional para solucionar os desequilíbrios fiscais, macroeconômicos e financeiros são propícias à obtenção de resultados positivos”.
Cenário industrial da Argentina é preocupante
O aumento nos salários dos funcionários do alto escalão do governo Milei e a alta das passagens no transporte público vêm na esteira de uma crise industrial na Argentina e de preocupação das empresas com a demanda interna.
Uma pesquisa do Centro de Estudos da União Industrial Argentina (UIA), realizada com mais de 700 empresas, revela um cenário crítico para o setor fabril sob a gestão de Javier Milei. Em outubro, 21% das indústrias reduziram seus quadros de funcionários e mais de 23% ajustaram turnos de trabalho para lidar com a queda na produção.
O levantamento aponta que o fechamento de empresas acelerou drasticamente: desde o início do atual governo, mais de 19 mil estabelecimentos encerraram atividades, uma média de 30 por dia, resultando na perda de mais de 276 mil postos de trabalho, sendo 55 mil apenas no setor industrial.
O desempenho do setor registrou uma queda acentuada, especialmente nos ramos têxtil, metalúrgico e de calçados, impulsionado pela retração de 47,7% nas vendas internas. A principal preocupação dos industriais é a baixa demanda doméstica, agravada pelo aumento de custos, o que levou metade das empresas consultadas a admitir dificuldades para honrar pagamentos de salários, fornecedores ou impostos. A UIA alerta que a crise está se aprofundando e não apresenta sinais de recuperação consistentes.
Apesar dos indicadores negativos e do fechamento em massa de unidades produtivas, o presidente Javier Milei mantém a defesa da abertura econômica. O mandatário argumenta que a falência de setores locais decorre da maior competitividade dos produtos importados e sustenta que não há perda real de postos de trabalho, mas sim uma migração de trabalhadores para setores que considera mais produtivos.
No entanto, entidades como o Centro de Economia Política Argentina (Cepa) destacam que a reforma trabalhista implementada não gerou novas vagas, tendo, na prática, facilitado o processo de demissões.
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